O governo vai destinar R$ 9,2 bilhões no Programa Brasil Empreendedor para o financiamento, nos próximos 12 meses, de médias, pequenas e microempresas. O anúncio foi feito com toda pompa, ontem, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e serviu para comemorar também o crescimento da economia nacional. A meta é de que os bancos oficiais possam fazer empréstimos para 2,6 milhões de novos empreendedores e assegurar a criação de 600 mil postos de trabalho.
‘‘Não sou economista, mas convivo com eles’’, disse Fernando Henrique, ao comentar que existem muitos especialistas em dar palpites sobre o desempenho da economia nacional. O presidente frisou que as projeções que são feitas não passam de meras previsões que podem ser confirmadas ou não. No discurso, ele destacou que a economia cresceu 3,86 ponto porcentual frente ao Produto Interno Bruto (PIB) nos nove primeiros meses deste ano. Isso serviu para fortalecer a defesa de que o País já entrou no caminho do crescimento.
Fernando Henrique aproveitou este resultado para explicar que o programa de apoio aos médios, pequenos e microempreendedores evitou o aumento do índice de desemprego. O presidente afirmou que a indústria de São Paulo já cresceu este ano 6,5%. Segundo ele, isso está ocorrendo também no setor agrícola, com os recordes da produção de grãos deste ano devendo se repetir em 2001. ‘‘A venda de máquinas agrícolas cresceu 50% e isso comprova as nossas estimativas’’, assegurou.
Programa O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, explicou que, na primeira etapa do programa, a previsão de empréstimos era de R$ 8 bilhões mas chegou a R$ 9,4 bilhões – um aumento de 17,5%. Tápias assegurou que um dos pontos importantes foi permitir a manutenção dos 3 milhões de empregos neste segmento. Ou seja, com as linhas de crédito, as empresas puderam se capitalizar e expandiram os seus negócios.
‘‘O empreendedor é treinado por professores que ensinam como fazer o negócio ser lucrativo e eficiente’’, disse Tápias. Na prática, o programa ensina também os empresários a tocar seus projetos. Um exemplo, segundo o ministro, é aquele profissional que monta um salão de cabeleireiro. Ele irá receber todas as informações pertinentes ao empreendimento, indo desde os custos com salários, encargos trabalhistas e até despesas com aluguel e luz elétrica. Estes professores ensinam a montar planilhas e dão dicas para aumentar o lucro.

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