Pequenas empresas puxam recuo de procura por crédito
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segunda-feira, 22 de julho de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A busca de empresas por crédito teve retração de 4,7% no primeiro semestre deste ano em relação ao menos período de 2012, puxada principalmente pelo recuo de 5,6% na procura de micros e pequenos empreendedores (MEIs), segundo o Serasa Experian. Economistas apontam que o desaquecimento econômico do País tende a atingir primeiro os empresários menores e o comércio, que são grandes geradores de empregos. Por isso, dizem que é importante acompanhar o indicador com atenção nos próximos meses, como forma de prever possíveis reflexos no mercado de trabalho.
Foi o segundo menor desempenho geral para os primeiros seis meses de um ano desde 2007, quando foi iniciada a série. A única vez em que a demanda empresarial por crédito foi pior foi em 2009, com retração de 6,7%, em um período de recessão da economia nacional causada pela crise mundial iniciada no fim de 2008.
O chefe do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Staviski, afirma que o indicador mostra um momento de cautela do empresário, que percebe uma queda no consumo, produz menos e investe menos. Ele lembra que as pequenas empresas são atingidas primeiro. Prova disso é que houve crescimento da procura por parte de médios (6,3%) e grandes empresários (18,6%) na comparação entre os mesmos períodos.
O professor diz que empresas maiores contam com linhas de crédito com taxas de juros menores do que as pequenas. "No caso dos grandes, esse crescimento pode ser reflexo de grandes projetos fomentados no País, como os esportivos e de infraestrutura", diz. Para Staviski, os índices da indústria, com retração de 6,2%, e do comércio, com queda de 7,4%, preocupam. "Se o comércio vai bem, significa que a indústria pode melhorar porque as lojas estão na ponta da cadeia e vendem o que é produzido."
O economista Renato Pianowski, da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), afirma que a baixa demanda por crédito mostra ainda uma queda na abertura de empresas. Para ele, é mais fácil o pequeno empresário ficar temeroso em um momento de desaquecimento e segurar os investimentos. "Somente funcionam a todo vapor a construção civil e os supermercados, porque ninguém para de comer."
Pianowski acredita que 2013 será um ano de cautela para o comércio. Ele diz que questões pontuais, como a redução das temperaturas para esta semana, podem ajudar um pouco e que cada data comemorativa, como o próximo dia dos pais, serve de termômetro. "Normalmente se espera 10% a mais de vendas nessas épocas, mas se desta vez chegar a 5% já dá para levantar as mãos para o céu."
Juros e inflação
Staviski diz que a redução nos financiamentos representa queda no consumo e, por consequência, nos preços. "A inflação tem um componente que é o Custo Brasil, de produção, e não apenas a demanda por crédito, mas isso contribui para baixar a inflação", afirma.
Ele não acredita que os reajustes na taxa básica de juros, a Selic, tenham refletido ainda nos financiamentos. Depois de ficar estacionada até abril em 7,25%, o índice chegou a 8,50% no último dia 11. "Ainda vai repercutir porque vem de dois meses para cá", diz. Pianowski discorda. "Quando reduzem os juros, os bancos demoram para reagir, mas se sobe, o efeito é imediato."



