Curitiba - As micro e pequenas empresas (MPE) foram as responsáveis por quase a metade das 122.797 novas vagas de trabalho formal abertas no Paraná, de janeiro à julho deste ano. Os dados são da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os estabelecimentos que possuíam entre 1 a 4 empregados contrataram 58.003 pessoas no período. O correspondente a 47,2% do total disponibilizado.
As empresas com 500 a 999 empregados criaram 12.133 postos com carteiras de trabalho assinadas, ou 9,9% das vagas disponíveis no período consultado. Aquelas com mais de 1 mil funcionários contrataram 14.595 trabalhadores, equivalendo a 11,9%.
A Get Shape, empresa de confecção esportiva, está em plena contratação. A proprietária da marca, Raquel Cesiuk afirma que até o final do ano, o quadro de funcionários aumentará em 20% passando para 30 colaboradores. Há dois anos, a empresa contava apenas com dois trabalhadores. Somente em agosto, cinco vagas foram preenchidas. Para setembro, outras três ainda estão em aberto. ''A expansão é o resultado de um planejamento estratégico bem feito e de qualificação profissional de todos os envolvidos desde o admistrativo à linha de produção'', revela a empresária.
Para o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas no Paraná (Sebrae/PR), os números refletem a realidade nacional, onde o setor corresponde a mais de 60% das contratações. No caso específico do Estado, a instituição afirma que a isenção das Microempresas do Imposto por Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), desde 2003, e os benefícios da Lei Geral promulgada pelo governo federal, são os responsáveis pelo aumento de empregos. ''Em vários municípios, este tipo de empresa chega a 98%. A atual política pública fomenta a criação e a expansão de empresas. A tendência é que o setor se fortaleça ainda mais'', comenta o gerente regional do Sebrae para o Norte do Estado, Heverson Feliciano.
Segundo ele, para que as MPE sejam ainda mais competitivas, falta às prefeituras regulamentarem a Lei Geral nos municípios. Feliciano explica que desta maneira, além de possíveis descontos fiscais, a MPE poderá aumentar as contratações e gerar mais renda local. ''A lei corrige certas desvantagens dos pequenos em relação aos grandes, em um momento de concorrência, por exemplo'', diz. Ele afirma que no Brasil apenas 2% das MPE particpam de compras governamentais, enquanto nos Estados Unidos, o percentual chega a 20%. No Paraná, 138 municípios já estão regulamentados. Londrina e Curitiba, de acordo com o Sebrae, ainda não fazem parte deste volume.
Setores
O número de empregados na construção civil dobrou. Nos sete primeiros meses de 2008 o crescimento foi de 101%, em comparação ao período anterior. O setor gerou 14.236 novos postos de trabalho.
O comércio contratou 19.433 trabalhadores formais, alta de 41%. No setor de serviços, onde foram abertas 32.887 novas vagas, a expansão foi de 35,4%.
O estudo aponta retrações na indústria da transformação. Apesar dos 42.290 empregos, houve queda de 9,7%. A agropecuária, mesmo com a baixa de 2,4%, o setor criou 12.318 vagas.

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