Pequenas empresas, grandes incertezas
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 


Donos de pequenos negócios em todo o Brasil e no Paraná ainda estão vendo uma densa névoa de incertezas em relação as suas atividades para 2017. Numa pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) pelo Sebrae realizada em todas as regiões do País entre outubro e novembro - que engloba microempreendedores (ME), microempreendedores individuais (MEI) e empresas de pequeno porte (EPP) , 82% dos entrevistados acreditam que o desempenho dos negócios só irá melhorar a partir de 2018. Outro percentual considerável (25,1%) projeta um novo fôlego econômico apenas após 2020. No Paraná, os valores fecharam 76,2% (pensando a partir de 2018) e 24,5% (após 2020).
Outro dado importante do levantamento revela que 59,9% dos empreendedores avaliaram 2016 como um ano pior do que 2015, contra apenas 18% que o consideraram melhor. Já no Estado, os valores fecharam em 52,4% (pior) e 23,6% (melhor). Para os paranaenses, os principais problemas que atrapalharam os negócios foram a recessão (29%), altas taxas de juros (28,5%), desemprego elevado (26,9%) e a inflação (15,5%).
A pressão dos custos, segundo os pequenos empreendedores do Estado, está diretamente ligada ao alto valor dos impostos e taxas municipais (29,6%), aumento dos valores de matéria prima e mercadorias (21%) e taxas com mão de obra, respondendo a 11,7%. Com todo esse receio, 51,6% dos entrevistados no Brasil não pretendem fazer investimentos para 2017. Já no Paraná, 47,5% seguem esse pensamento de não colocar a mão no bolso para tentar melhorar a situação. Aqueles que irão tomar medidas concretas apostam em melhor eficiência em propaganda e marketing ou aumentar a variedade de produtos.
FATOR PIB
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Cláudio Tedeschi, analisou a pesquisa a pedido da FOLHA e não se surpreendeu com os números pessimistas apresentados. "A pesquisa retrata uma análise já feita por todos os comerciantes e empresários, com um aprofundamento do cenário ruim que vivemos, com queda no PIB por dois anos consecutivos" .
Para Tedeschi, a situação que o País vive está diretamente ligada às incertezas políticas, que têm pesado demais sobre os índices econômicos. "Chegou um momento que precisamos acelerar os processos de reforma de base para atingir melhores indicadores econômicos a partir de 2018. As medidas precisam acontecer, como a reforma previdenciária, uma reforma trabalhista razoável sem tirar os direitos dos trabalhadores e, claro, a tributária, gerando menor burocracia".
Por fim, o presidente da Acil avaliou que todos os pontos citados pelos entrevistados da pesquisa do Sebrae referentes aos problemas que atrapalharam os negócios recessão, juros, desemprego e inflação são apenas efeitos de um descontrole fiscal brasileiro. "Há tempos este governo gasta mais do que arrecada. Além disso, a recessão chegou porque não temos investimento nas bases necessárias".


