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Economia 5m de leitura Atualizado em 27/12/2021, 14:12 assinante

Pequenas empresas geram três vezes mais empregos do que grandes

Entre janeiro e outubro de 2021, quase 73% dos postos de trabalho formais criados no país vieram dos pequenos negócios

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Simoni Saris - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Imagem ilustrativa da imagem Pequenas empresas geram três vezes mais empregos do que grandes
|  Foto: iStock
 

Para cada vaga de trabalho gerada por uma empresa de médio e grande porte no Brasil, as micro e pequenas empresas geram mais de três vagas. Entre janeiro e outubro de 2021, quase 73% dos postos de trabalho formais criados no país vieram dos pequenos negócios. No período, foram abertas, em todo o país, 2,6 milhões de vagas de emprego, sendo 1,9 milhão nas micro e pequenas empresas, uma média de 190 mil novos postos a cada mês. Entre as médias e grandes, foram 590,7 mil contratações nos dez meses do ano, o que corresponde à média mensal de 59 mil vagas. 

Os dados foram levantados pelo Sebrae com base nos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, e demonstram a força dos pequenos negócios na retomada econômica do país e na geração de renda. “No mês de outubro, o acumulado de vagas criadas pelas micro e pequenas empresas cresceu de cerca de 1,8 milhão para 1,9 milhão, enquanto nas médias e grandes, o incremento foi de apenas três mil vagas em dez meses, passando de 587,7 mil para 590,7 mil”, destacou o presidente do Sebrae, Carlos Melles. 

Pelo recorte do mês de outubro, o índice de geração de vagas nos pequenos negócios sobe para 79,7%. Dos 201,7 mil novos postos gerados naquele mês, 253 mil vagas foram abertas pelas micro e pequenas empresas. Tendência que se confirma no Paraná, onde o percentual é ainda maior. Dos 15.747 postos de trabalho formais criados no Estado em outubro, 87% foram gerados pelas micro e pequenas empresas, o que corresponde a 13.706 vagas.  

O segmento de serviços lidera as contratações, com 5.647 vagas. Logo em seguida, vem o comércio, com 4.499 novos postos de trabalho, seguido da indústria e transformação, com 3.031, e construção, com 636.  

A pandemia fez crescer o empreendedorismo por necessidade, motivado pelo aumento do desemprego e pela dificuldade de conseguir uma recolocação no mercado de trabalho. Em um cenário onde há o aumento das pequenas empresas, o reaquecimento da economia torna imprescindível a contratação. “Em uma retomada da economia, as pequenas empresas têm as suas necessidades e precisam contratar. Às vezes, com uma única contratação que é feita, elas dobram o faturamento”, disse o consultor do Sebrae Paraná, Sergio Ozorio.  

Hoje, só em Londrina, há em torno de 40 mil MEIs em atividade. Nesse universo, comércio e serviços se sobressaem nas contratações. Esses dois segmentos foram bastante prejudicados pelas medidas restritivas impostas pela pandemia, com queda significativa no faturamento, mas agora, com a retomada, voltaram a crescer “a passos largos”, apontou Ozorio. O resultado é a alta do faturamento e o aumento do número de empregados. “Se foram prejudicados (pela pandemia), agora estão abrindo vagas de trabalho. Entre os maiores contratantes, destacam-se as academias, salões de beleza e empresas na área da educação”, disse o consultor.  

Embora o Caged tenha alterado a metodologia adotada para medir o nível de empregabilidade, as micro e pequenas empresas mantiveram o bom desempenho apresentado desde a retomada da geração de empregos no país. “Mesmo com um quantitativo menor do que o observado nos últimos meses, devido à mudança de metodologia, os pequenos negócios são os que mais têm ajudado no aumento da criação dos novos postos de trabalho no país. São eles os grandes responsáveis pelo sustento de milhões de famílias brasileiras”, ressaltou Melles. “As pequenas empresas têm muito mais condição e vontade de contratar. As grandes verificam suas possibilidades, tendem a segurar, melhorar processos”, acrescentou Ozorio.(Com Agência Brasil) 

Construtora tem alta de 150% na produtividade com contratações 

Gestor de uma construtora em Londrina, Arley Dib Casagrande Abussafi preparou a empresa para o pior cenário econômico que se desenhava com a chegada da pandemia, no início de 2020. O prognóstico ruim não se confirmou e a preparação serviu como impulso para o crescimento.  

A construtora, que está há 40 anos no mercado, entrou em 2021 com oito funcionários no quadro operacional e vai encerrar o ano com mais de 20, um aumento de 160%. “Isso, na produção. É um aumento bastante significativo porque a produção é bastante rápida. Quando aumenta uma pessoa, é muito sensível”, disse Abussafi.  

Com as contratações, houve reflexos muito positivos nos resultados. Ao longo do ano, o faturamento da empresa cresceu entre 45% e 50% e a produtividade, em torno de 150%. “As empresas grandes trabalham com um crescimento médio de 5% ao ano e estamos falando de um aumento de 45% ao ano. Guardadas as devidas proporções, para uma pequena empresa é um ótimo resultado”, avaliou o gestor. 

“A construção civil, nessa área de infraestrutura, tem que responder muito rápido à mudança de mercado. Toda vez que o mercado oscila, a contratação oscila muito rápido também, diferente de muitas indústrias. Não posso manter funcionário ocioso”, afirmou Abussafi.  

A pandemia dá sinais de arrefecimento e as perspectivas de mercado para 2022 são animadoras. Um termômetro de que o mercado deve se manter aquecido no ano que vem, destacou o gestor, são os investimentos crescentes em infraestrutura feitos na cidade e no Estado. “O primeiro a sentir isso somos nós, construção civil de infraestrutura. O setor apontou para o crescimento e depois que começam as obras, tem que terminar. Tenho certeza de que vou fazer novas contratações em 2022.”(S.S.) 

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