Pequenas empresas atingem o limite de endividamento
Carmem Murara
De Curitiba
Nunca tantas pequenas e micro empresas estiveram com um volume tão grande de dívidas. Um balanço divulgado ontem durante o Simpósio sobre os Desafios e Tendências para a Microempresa, em Curitiba, mostrou que 86% delas estão com débitos fiscais em todo o País, índice que cai para 80% se a análise for feita apenas no Paraná. Se forem considerados todos os tipos de endividamento e se forem incluídas as grandes empresas, 30% estão comprometidas.
O presidente da Confederação Nacional das Entidades de Micro e Pequenas Empresas Industriais, Ercílio Santinoni, disse que a média histórica de endividamento das empresas sempre ficou entre 2% e 5%, antes do Plano Real. O endividamento se originou com o Plano Real, quando os juros subiram muito e as margens de lucro caíram, afirmou.
Ele avaliou que o Programa de Recuperação Fiscal (Refis) será uma boa oportunidade para os pequenos empresários colocarem a casa em ordem. O Refis, que deveria se encerrar hoje, foi prorrogado até dia 28. No acordo de prorrogação do Refis ficou acertado que os bancos repactuadores das dívidas pagarão o Imposto de Renda apenas no recebimento de cada parcela. Até então, o banco pagava os 25% de imposto em uma única vez.
A maioria das empresas que aderiu ao programa é de portes médio e grande. Juntas elas correspondem a 90% do total e somam um passivo de R$ 170 bilhões. Hoje há no País 4,5 milhões de micro e pequenas empresas, sendo que no Paraná elas somam 320 mil.
Durante o simpósio, os empresários discutiram ainda a carga tributária e os encargos sociais, que eles consideram muito pesados. Não podemos mais pagar 112% de encargos sociais, reclamou o presidente da Confederação Nacional das Entidades de Micro e Pequenas Empresas do Comércio e Serviços, José Tarcísio da Silva. Ele argumentou que 50% do faturamento de uma pequena empresa tem de ser destinado para pagar salários e encargos. O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, fez palestra ressaltando a necessidade de o País fazer a reforma tributária. Defendo a cobrança de imposto na comercialização e não na produção.





