Pequenas distribuidoras disputam espaço
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 1996
Maria Teresa Martins 
Pequenas empresas de distribuição de petróleo começam a divulgar os volumes de vendas praticados durante este ano e mostram que estão conseguindo espaço em um mercado dominado por cinco poderosas empresas: a estatal BR Distribuidora (Petrobrás), a Ipiranga/Atlantic, a Esso, a Shell e a Texaco. O ramo de distribuição de combustíveis no Brasil movimenta quase R$ 30 bilhões por ano.
A paranaense Fox vai fechar o ano com um faturamento de R$ 105 milhões, contra um resultado de R$ 47 milhões no ano passado. O volume mensal de vendas da companhia está em torno de 24 milhões de litros, informa a empresa. A Ocidental Distribuidora de Petróleo, também baseada no Paraná, faturou R$ 31 milhões no ano passado e a expectativa é de chegar a R$ 70 milhões este ano. A distribuição mensal é de 25 milhões de litros de derivados de petróleo.
Estamos crescendo por incompetência do cartel, que tem reagido de forma violenta à nossa participação no mercado, revela o diretor da Fox, Augusto Tramujas. Segundo ele, os revendedores estão sendo pressionados pelas distribuidoras, com contratos leoninos, que as obrigam a comprar unicamente o produto distribuído pela bandeira.
Tramujas denuncia o lobby das grandes empresas junto ao poder público. Segundo ele, o Ministério dos Transportes baixou uma portaria na qual os postos de combustíveis são obrigados a comprar os derivados de petróleo de suas bandeiras originais. Isso é um retorno à cartelização, denuncia. Em 93, houve a desregulamentação do setor, durante o governo Collor, abrindo a possibilidade de os postos escolherem seus revendedores.
O diretor da Ocidental, Rodrigo Gonçalves, que está investindo até o final de 1997 mais R$ 13 milhões na ampliação de 26 para 55 postos com sua bandeira, diz que o crescimento da empresa acontece por causa do relacionamento com os clientes.
Gonçalves diz que um trabalho forte e intenso junto aos revendedores é o diferencial em relação às grandes empresas do setor. Enquanto nós resolvemos um problema da empresa em dois ou três dias, as outras companhias chegam a demorar a seis meses para atender o cliente, garante.
Golçalves informa que além dos postos combustíveis, outro nicho de mercado explorado pela empresa são as empresas que trabalham com grandes frotas. A Fox também amplia suas bases de distribuição, com projeto pronto para se instalar em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Preços e prazos competitivos são questões com possibilidade de negociação pelas pequenas empresas junto aos clientes. Os pequenos, por uma questão de competição no mercado, acabam sendo reguladores de preços , diz Tramujas.


