Pequenas compras aquecem varejo virtual
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quinta-feira, 07 de setembro de 2000
Das agências De São Paulo 
O faturamento com transações on line vem crescendo em todos os tipos de empresas, segundo o International Data Corp.(IDC), um dos mais respeitados institutos de análises do setor de tecnologia. Mas o pulo do gato para o sucesso do comércio eletrônico serão as pequenas compras, aquelas que podem custar apenas centavos por dia e que chegam a acumular alguns dólares no final do mês.
No relatório Pouco é muito, que acaba de ser divulgado, o analista Geoffrey Dutton aposta que a venda de produtos muito baratos que podem ser copiados (downloaded) pela Internet como uma canção de um disco que acaba de ser lançado ou uma notícia do banco de dados de uma publicação estimulariam o internauta a se aventurar mais no comércio eletrônico.
O compromisso de assinatura de uma publicação on line ou a abertura de cadastro para esse tipo de compra são exigências que afastam o internauta. Muitos consumidores em potencial continuam achando a compra pela Internet com cartão de crédito muito trabalhosa e arriscada, afirma Dutton.
O principal obstáculo às pequenas compras ou micro-pagamentos continua sendo o custo para o comerciante de cerca de US$ 0,30 por transação no cartão de crédito, nos Estados Unidos. Novas soluções tecnológicas começam a chegar ao mercado desenvolvidas por empresas do porte da IBM.
Mas Dutton admite que criar uma cultura de micro-pagamentos pode levar anos, embora o surgimento do m-commerce, o comércio eletrônico pelo celular, possa tornar mais rápida essa mudança. Quando os consumidores acreditarem nesse modelo, vão apreciar comprar apenas aquilo que realmente desejam. A principal razão que levaria o internauta a ter mais confiança no comércio eletrônico para pequenas compras é o anonimato, já que os pagamentos poderiam ser feitos com cartões pré-pagos ou por intermédio de uma caixa de compensação.
Segundo dados do IDC de maio, a receita com vendas on line para o consumidor final (B2C) passou de 28% do faturamento total das empresas em 1999 para 37% este ano. Em empresas voltadas para o mercado corporativo (B2B), a participação das vendas on line no faturamento cresceu de 45% para 52%.
As pequenas empresas americanas, com menos de 100 funcionários, são as que mais investem nos sites de vendas, segundo o IDC. Apenas 7% das grandes empresas já têm programas de pagamento on line, enquanto isso ocorre em 8% das médias companhias e em 18,5% das pequenas que têm site na Internet.
Das grandes companhias americanas, 95,7% têm homepage, mas apenas 58,9% das pequenas. Entre as médias, 83,9% têm sites. Uma das razões para a expansão das ferramentas de pagamento on line entre as pequenas empresas norte-americanas, segundo o IDC, é a tercerização da construção e hospedagem das homepages, com oferta abundante de novas soluções.
Os internautas brasileiros movimentarão cerca de US$ 243 milhões com compras na rede este ano. A previsão é de que, em 2003, esses gastos cheguem a US$ 760 milhões. O número de pessoas navegando na rede também deve crescer muito nos próximos anos. Previsões feitas antes do surgimento dos provedores de acesso gratuito estimavam que o país teria, em 2003, 9 milhões de internautas. A ânsia por abocanhar um bom pedaço desse bolo é uma das explicações para a guerra em que debatem-se os provedores brasileiros desde o começo do ano.


