O faturamento com transações on line vem crescendo em todos os tipos de empresas, segundo o International Data Corp.(IDC), um dos mais respeitados institutos de análises do setor de tecnologia. Mas o pulo do gato para o sucesso do comércio eletrônico serão as pequenas compras, aquelas que podem custar apenas centavos por dia e que chegam a acumular alguns dólares no final do mês.
No relatório ‘‘Pouco é muito’’, que acaba de ser divulgado, o analista Geoffrey Dutton aposta que a venda de produtos muito baratos que podem ser copiados (downloaded) pela Internet – como uma canção de um disco que acaba de ser lançado ou uma notícia do banco de dados de uma publicação – estimulariam o internauta a se aventurar mais no comércio eletrônico.
O compromisso de assinatura de uma publicação on line ou a abertura de cadastro para esse tipo de compra são exigências que afastam o internauta. ‘‘Muitos consumidores em potencial continuam achando a compra pela Internet com cartão de crédito muito trabalhosa e arriscada’’, afirma Dutton.
O principal obstáculo às pequenas compras ou ‘‘micro-pagamentos’’ continua sendo o custo para o comerciante de cerca de US$ 0,30 por transação no cartão de crédito, nos Estados Unidos. Novas soluções tecnológicas começam a chegar ao mercado desenvolvidas por empresas do porte da IBM.
Mas Dutton admite que criar uma cultura de micro-pagamentos pode levar anos, embora o surgimento do ‘‘m-commerce’’, o comércio eletrônico pelo celular, possa tornar mais rápida essa mudança. ‘‘Quando os consumidores acreditarem nesse modelo, vão apreciar comprar apenas aquilo que realmente desejam.’’ A principal razão que levaria o internauta a ter mais confiança no comércio eletrônico para pequenas compras é o anonimato, já que os pagamentos poderiam ser feitos com cartões pré-pagos ou por intermédio de uma caixa de compensação.
Segundo dados do IDC de maio, a receita com vendas on line para o consumidor final (B2C) passou de 28% do faturamento total das empresas em 1999 para 37% este ano. Em empresas voltadas para o mercado corporativo (B2B), a participação das vendas on line no faturamento cresceu de 45% para 52%.
As pequenas empresas americanas, com menos de 100 funcionários, são as que mais investem nos sites de vendas, segundo o IDC. Apenas 7% das grandes empresas já têm programas de pagamento on line, enquanto isso ocorre em 8% das médias companhias e em 18,5% das pequenas que têm site na Internet.
Das grandes companhias americanas, 95,7% têm homepage, mas apenas 58,9% das pequenas. Entre as médias, 83,9% têm sites. Uma das razões para a expansão das ferramentas de pagamento on line entre as pequenas empresas norte-americanas, segundo o IDC, é a tercerização da construção e hospedagem das homepages, com oferta abundante de novas soluções.
Os internautas brasileiros movimentarão cerca de US$ 243 milhões com compras na rede este ano. A previsão é de que, em 2003, esses gastos cheguem a US$ 760 milhões. O número de pessoas navegando na rede também deve crescer muito nos próximos anos. Previsões feitas antes do surgimento dos provedores de acesso gratuito estimavam que o país teria, em 2003, 9 milhões de internautas. A ânsia por abocanhar um bom pedaço desse bolo é uma das explicações para a guerra em que debatem-se os provedores brasileiros desde o começo do ano.

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