Pequenas cidades entram na disputa por indústrias
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2002
Da Redação 
Com custo menor de mão-de-obra, municípios do Norte do Paraná buscam alternativas para não depender exclusivamente da produção da agricultura e pecuária
Pequenos municípios do Norte do Paraná buscam alternativas para movimentar a economia, criar novos empregos e não depender exclusivamente de atividades agropecuárias. Oferecendo atrativos como custo menor de mão-de-obra e a vida tranquila cada vez mais difícil nos grandes centros urbanos, essas cidades também procuram maneiras de industrializar a produção.
A empresária Sandra Regina Manganaro é um exemplo de quem já passou pela experiência de morar numa cidade grande. Nascida em Lupionópolis, hoje com 4.300 habitantes, foi viver em São Bernardo do Campo (SP) e lá abriu uma indústria para fazer embalagens de papel. Manteve a empresa no município do ABC paulista por dois anos, mas com medo da violência e preocupada com a segurança dos dois filhos, decidiu voltar para o local de origem.
Sandra Manganaro retornou a Lupionópolis há um ano e meio para instalar na cidade a Indústria Top Line Artefatos de Papéis Ltda, com 35 funcionários. Fabrica formas de papel para envolver bolos e panetones, que vende para indústrias alimentícias e distribuidoras de seis Estados. São Paulo absorve 80% das 600 mil formas produzidas mensalmente e os demais 20% são comercializados na Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande de Sul e Rio de Janeiro. Por incrível que pareça não temos clientes no Paraná - comenta a empresária.
Disposta a ampliar a indústria, aumentar o número de produtos e fazer o negócio crescer, Sandra Manganaro conseguiu o apoio da prefeitura de Lupionópolis. Nos próximos seis meses, a Top Life vai transferir as atividades para uma instalação de 430 metros quadrados, onde poderá gerar novos empregos no futuro. Além de incentivarmos a empresa, resolvemos um outro problema: a remoção da indústria para uma área onde o barulho do maquinário não incomode moradores vizinhos - destaca o prefeito José Antônio Gerônimo (PFL), que está no segundo mandato.
Ele destaca também o funcionamento em Lupionópolis de outras indústrias. Uma delas é a Jenifer, que emprega 90 pessoas na fabricação de instrumentos musicais (guitarras e percussão) vendidos para diversos estados. A Pirapó Alimentos (Frigolup) tem cerca de 100 funcionários, abate em média 200 bovinos por dia, embala e fornece carne para açougues e supermercados em dezenas de municípios.
A expansão da Top Life Artefatos de Papel vai ser viabilizada pela prefeitura de Lupionópolis com o repasse de R$ 70 mil do orçamento da União, através de uma emenda do deputado federal Alex Canziani (PSDB). Ele criou o projeto Barracão do Emprego, com módulos de 430 metros quadrados e 700 metros quadrados. São 16 municípios no Norte do Paraná que vão receber recursos federais para a construção de 19 barracões, num investimento da União de R$ 1,450 milhão.


