Pequenas agroindústrias têm dificuldades com legislação
Com o estreitamento das margens de rentabilidade e o aviltamento nos preços dos produtos primários, o pequeno produtor está sentindo a necessidade de agregar valor ao seu produto para elevar seu ganho. A agroindustrialização na propriedade ainda é muito tímida, mas o potencial do Estado é enorme e a atividade vem se expandindo nas pequenas propriedades. Ocorre que o pequeno produtor esbarra nos obstáculos impostos para se adequar à legislação e excesso de burocracia exigidos para os produtos agroindustrializados, principalmente para os derivados de origem animal como embutidos, defumados e queijos.
Para discutir a legislação, considerada muito rigorosa, está sendo realizado em Curitiba, o Seminário da Pequena Agroindústria. É promovido pelas secretarias da Agricultura e do Abastecimento, do Emprego e Relações do Trabalho, do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, e entidades ligadas ao pequeno produtor. O objetivo é discutir alternativas para simplificar as normas de vigilância sanitária e industrial que preocupam o pequeno produtor e elaborar uma proposta para viabilizar a produção agroartesanal.
Segundo um levantamento feito pela Emater-PR, das 475.000 propriedades rurais existentes no Estado, 350.000 são familiares, que podem desenvolver a transformação dos produtos. A preferência dos produtores é partir para agroindustrialização de leite, carnes, vegetais (frutas e hortaliças, sucos, vinhos e geléias). Para o técnico, Antonio Joaquim Pereira, esses produtos têm mercado e o público até prefere comprar um produto artesanal porque está isento de aditivos químicos.Além disso, exibem uma qualidade superior ao produto industrializado, acrescentou.
Um exemplo de agroindustrialização bem sucedida na pequena propriedade é a região de Morretes, onde cerca de 400 pequenas propriedades estão trabalhando com a transformação de frutas e hortaliças. No município de Colombo, região metropolitana de Curitiba, cerca de 200 famílias de agricultores já construiram uma unidade industrial de pequeno porte para fabricação de vinhos, sucos, doces e conservas. Todos esses produtos são encaminhados para o mercado formal.
O exemploO produtor Wilson Quadrado, de Bocaiúva do Sul, produz 1.500 quilos de embutidos derivados de suínos, por mês em sua propriedade. Ele consegue uma rentabilidade de aproximadamente 50%, porque planta o milho, engorda os suínos com o grão que produz e industrializa os animais que abate.
Com um rendimento de aproximadamente R$ 5.000,00, Quadrado coloca a produção em padarias, restaurantes e na Feira do Produtos de Produtos Orgânicos, realizada em Curitiba. Os produtos têm o certificado do Serviço de Inspeção do Paraná e estão inscritos no Ministério da Saúde, que exige análises fisico-quimicos e bacteriológicos.
Apesar de ter conseguido formalizar seu produto, Quadrado criticou a legislação sanitária e tributária que nivela todos os produtores, grandes e pequenos, em suas exigências. Ele afirma que a carga de impostos é grande para o pequeno produtor e a pequena propriedade não consegue sobreviver somente com a produção primária. Por isso falta abrir caminhos para os pequenos produtores que são mais tímidos, não têm a vivência comercial dependem de orientação e apoio do governo, defendeu o técnico da Emater, Hans Pauls.ArquivoProdutos de
qualidade
A criatividade
das
agroindústrias
do Paraná
esbarra nas
exigências
burocráticas.
Setor tem
competência
para crescer
com qualidadeVânia Casado





