Pequena empresa não tem lugar no pólo automotivo
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domingo, 18 de fevereiro de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
O tão propalado leque de oportunidades esperado pelas pequenas e médias empresas com a vinda das montadoras para o Paraná ainda não representou negócios na área de produção e venda de componentes. Exigência de alta tecnologia e capital para se credenciar à fornecedoras são os principais obstáculos às pequenas e médias empresas.
Atualmente, cerca de apenas 40 empresas do setor metalmecânico instaladas na Região Metropolitana de Curitiba atuam direta ou indiretamente junto às montadoras. Outro obstáculo é o próprio mercado consumidor brasileiro, muito restrito pela má distribuição de renda.
Para se ter uma idéia, de janeiro a novembro de 2000 foram vendidos no Brasil 1,3 milhão de veículos, conforme dados do Sindimetal do Paraná, entidade que representa o setor metalmecânico no Estado. Nos Estados Unidos o volume passou de 19 milhões de unidades e na Europa, 15 milhões no mesmo período. Mas se as montadoras não acreditassem no futuro deste mercado brasileiro não estariam aqui, ressalta o presidente do Sindimetal, Elcio Rimi.
Mesmo diante da dificuldade de inserir a pequena e média empresas na cadeia produtiva do pólo automotivo, o Sindimetal está desenvolvendo o programa Paraná Automotivo com o objetivo de divulgar oportunidade de negócios. Segundo Rimi, o Paraná ocupa hoje a terceira posição no ranking dos estados produtores de veículos. Os primeiros lugares estão com São Paulo e Minas Gerais.
Rimi admite, porém, que além da falta de dinheiro para investir em tecnologia de produção, as empresas do Paraná se deparam com outras questões, como o fato das montadoras virem acompanhadas das fornecedoras de grandes módulos. Como as vendas no Brasil ainda são restritas, refletindo assim em uma produção em baixa escala, as montadoras, muitas vezes, ainda optam pela importação dos componentes deixando de lado as empresas fornecedoras locais.
Por isso, da mesma forma em que há oportunidade, existe uma permanente ameaça para os negócios de quem pretende entrar no mercado desta cadeia produtiva, explica o presidente do Sindimetal.
Segundo Rimi, além de palestras no interior do Estado, o programa Paraná Automotivo pretende realizar, em abril, um workshop nas regiões de Londrina e Maringá para mostrar aos pequenos e médios empresários a demanda de fornecimento para a indústria automotiva.
Sabemos das dificuldades de investimento, mas a entidade tem o dever de municiar as empresas de informação, diz o presidente do Sindimetal. Rimi conta que é possível descobrir alguma oportunidade interessante de negócio. Se uma indústria produz molas, por exemplo, pode adaptar a produção para o setor automotivo, completa Rimi.


