A Pepsi-Cola Engarrafadora só vai decidir se retoma ou não a construção da fábrica em Londrina no segundo semestre deste ano. A informação é do diretor jurídico da Pepsi, Ricardo Andreatta, que concedeu entrevista ontem, por telefone, à Folha de Londrina.
Andreatta disse que a construção da indústria na cidade, assim como todos os outros projetos de expansão da empresa, estão paralisados desde junho do ano passado, quando a Pepsico, que tem 25% do capital da Baesa - Buenos Aires Engarrafadora S.A., assumiu o controle da Pepsi-Cola Engarrafadora do Brasil. A Pepsico é a empresa americana que comercializa o xarope às engarrafadoras. A Baesa, única engarrafadora que tem permissão para usar o nome Pepsi-Cola Engarrafadora, atua na Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, entre outros.
Segundo o diretor jurídico, a empresa passa por reestruturações desde junho passado. ‘‘Até junho deste ano, devemos terminar a reestruturação do capital da Pepsi. E até dezembro, definiremos a política para novos investimentos’’, acredita Andreatta.
Como a empresa está reavaliando sua política de expansão, ele não garante a retomada da construção da fábrica de Londrina. ‘‘Isso pode ou não acontecer. De qualquer maneira, temos grande interesse no mercado paranaense’’, afirma Andreatta, que acha difícil que a Pepsi deixe de fazer investimentos em Londrina em detrimento de outras cidades do Estado por causa do pedido de revogação da doação do terreno da Pepsi, protocolado na Câmara pelo vereador Jaci Aguiar (PDT) no início deste mês. ‘‘A empresa já investiu R$ 1 milhão na construção de um depósito em Londrina. Não vejo razão para sair da cidade’’.
Andreatta diz que a dívida da Baesa no exterior é de US$ 800 milhões. Ele não soube quantificar o tamanho do rombo da empresa junto aos bancos brasileiros. ‘‘Mas já fizemos acordos com alguns bancos argentinos, que são nossos credores, e contratamos consultores argentinos e americanos para tentar equacionar a dívida’’.
O problema financeiro da Pepsi-Cola é reflexo da retração do mercado argentino e da redução do volume de vendas de refrigerantes no Brasil no ano passado, segundo Andreatta. Ele diz que a Pepsi, que entrou em operação no Brasil em 1994, fez investimentos pesados - de US$ 400 a US$ 500 milhões - na construção de fábricas e depósitos. ‘‘Como a sede da Baesa fica na Argentina, os investimentos foram financiados naquele país. E com a retração, o fornecimento de dinheiro parou’’, conta.
A empresa tem cinco unidades industriais no País - uma em São Paulo, uma no Rio de Janeiro, uma em Minas Gerais e duas em Porto Alegre. A fábrica de Minas, em Contagem, que havia paralisado sua produção no final de julho passado, voltou a operar em dezembro.
O prazo para a Pepsi-Cola enviar correspondência para a Câmara apresentando seus planos em relação a fábrica de Londrina terminou ontem. Andreatta explica que desmarcou a reunião, agendada na última sexta-feira com o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Alex Canziani, por ter conversado com o prefeito Antonio Belinati, na semana passada, em São Paulo. ‘‘Pedi que o prefeito aguarde os próximos acontecimentos. Por enquanto, não podemos fazer nada’’.
O presidente da Comissão de Justiça da Câmara, Célio Guergoletto (PMDB), entrou em contato com Ricardo Andreatta no final da tarde de ontem, por telefone, decidindo esperar pelo documento até hoje. Guergoletto deve elaborar seu parecer sobre o caso ainda hoje. ‘‘Como a Pepsi não tem planos para a retomada das obras mas não descarta a possibilidade de construir a fábrica, o parecer deve ser contra a revogação da doação do terreno’’, adianta Guergoletto. O assunto deve ir a plenário na próxima segunda-feira. Só o plenário pode derrubar o parecer da Comissão de Justiça.

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