Pepsi ocupará antiga fábrica da Skol
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de fevereiro de 1998
Cláudia Lopes 
Arquivo FolhaHistóriaFuncionários demitidos protestam contra o fechamento da fábrica da Skol, em 1993: empregos podem voltarO centro de distribuição da Pepsi-Cola, em Londrina, será instalado no antigo prédio da Skol, no bairro Cervejaria. A informação é do presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Alex Canziani, que falou ontem, por telefone, com representantes da Companhia Cervejaria Brahma, em Curitiba. A Brahma assumiu o controle das operações da Pepsi no Brasil em outubro passado.
Com inauguração prevista para daqui a dois meses, o centro deve gerar até 210 empregos diretos. Atualmente, a Pepsi-Cola mantém um depósito no terreno, na BR 369 (saída para Ibiporã), que foi doado pela Codel em junho de 1995 para a construção de uma fábrica de refrigerantes. Neste depósito, trabalham 20 funcionários. A Brahma anunciou oficialmente que não construiria mais a fábrica no município em dezembro passado.
No início deste mês, a prefeitura de Londrina decidiu entrar com uma ação de reintegração de posse do terreno. Em matéria publicada neste caderno, no dia 12 de fevereiro, o diretor regional da Brahma em Curitiba, Augusto Pires, afirmou que a empresa devolveria todo a área, que tem cerca de 120 mil metros quadrados, mas preferiu não revelar o local para onde seria transferido o depósito. Baseado nas declarações do diretor à Folha , a prefeitura desistiu de entrar com a ação de reintegração, ingressando apenas com uma notificação judicial contra a empresa. Segundo Alex Canziani, na próxima segunda-feira os diretores da Brahma devem anunciar a data de devolução do terreno.
O antigo prédio da Skol em Londrina é propriedade da Brahma. A fábrica, fechada há cinco anos - no dia 12 de abril de 1993 -, colocou na rua um contingente de 382 trabalhadores. Desde sua desativação, algumas empresas como a Cervejaria Germânica demonstraram interesse pelo prédio, que continua desocupado.
Para o prefeito Antonio Belinati, a reutilização do antiga fábrica tem importância social já que deve gerar empregos na região. O centro de distribuição vai ajudar o bairro Cervejaria, que sofreu um grande baque com a desativação da Skol, acredita. Além disso, o prédio tem valor histórico para a Cidade. O presidente da Codel, Alex Canziani, diz que a utilização do prédio e a devolução do terreno demonstram respeito pela comunidade de Londrina por parte da Brahma. A reativação daquele espaço vai gerar novas perspectivas para a região.
A maioria dos moradores do bairro Cervejaria comemora a iniciativa da Brahma. Morando há 18 anos atrás da antiga fábrica da Skol, Maria Napolitana acredita que a reutilização do prédio irá fazer o bairro ressurgir. Ela espera que vários negócios como postos de combustíveis e restaurantes voltem a funcionar depois da instalação do centro. A gente tinha muito movimento. Com o fechamento da fábrica, o bairro morreu, reclama.
O morador Marcos de Souza conta que muitas pessoas estão desempregadas no bairro. Será importante para a comunidade ter mais empregos na região, diz. Há dez anos, ele mora nas proximidades do prédio onde funcionava a Skol. O bairro Cervejaria surgiu ao redor da fábrica, na década de 50. Na época, a maioria dos moradores era empregado da indústria.


