O pedido de revogação da doação do terreno à Pepsi-Cola, feito pelo vereador Jaci Aguiar (PDT), pode levar a empresa a desistir de construir sua fábrica em Londrina, informou ontem à Folha Vasco Luce, vice-presidente da Baesa (Buenos Aires Engarrafadora S.A.). Ele concedeu entrevista por fax ao jornal. Apesar de afirmar ‘‘que a revogação do acordo por parte da prefeitura certamente influirá diretamente nos planos da Pepsi em Londrina’’, Luce garante que a revogação não interfere nos planos em relação à região. Ou seja, a indústria poderia ser deslocada para outro município do Norte do Estado.
No fax, ele disse que ‘‘a decisão de instalar uma unidade em Londrina faz parte de um plano estratégico de atender as regiões norte e oeste do Paraná, oeste de São Paulo e Mato Grosso do Sul, e que isto permanece inalterado’’.
Luce diz que um investimento do porte do previsto para a construção da fábrica de Londrina passa por dois fatores: o desenvolvimento das vendas na região e as condições da empresa em investir. As vendas da Pepsi na região de Londrina estão 30% abaixo do esperado pela empresa, segundo Luce.
O vice-presidente da Baesa, engarrafadora da Pepsi-Cola, disse ter investido mais de R$ 1 milhão na primeira fase da instalação da indústria em Londrina, ou seja, na construção do depósito para distribuição do refrigerante. O depósito funciona há um ano, gerando 30 empregos diretos.
Luce garante que o maquinário para a fábrica foi comprado e está na Krones, na Alemanha. A Krones é fabricante de equipamentos usados pela Pepsi. Vasco Luce disse ‘‘também ter investido uma quantia significativa através de inúmeras atividades aos consumidores e clientes, inclusive apoiando diretamente a equipe de Londrina no Campeonato Brasileiro de Futebol da série B’’.
Segundo ele, a Baesa passa hoje por uma completa reestruturação financeira, que ‘‘congelou’’ os investimentos temporariamente. ‘‘A conclusão deste processo, inclusive com a chegada de novos investidores, será também acompanhada por uma retomada e reavaliação das expansões’’, afirma Luce.
As obras da indústria estão paradas desde setembro de 95. A decisão da Pepsi em instalar uma fábrica na cidade foi tomada há cerca de dois anos. A fábrica, que receberia investimentos de US$ 20 milhões, deveria ter entrado em operação no início de 96.
A polêmica sobre a retomada do terreno da Pepsi começou quando o vereador Jaci Aguiar (PDT) protocolou, na Câmara, o pedido de revogação da doação e de revogação da prorrogação do prazo de doação do terreno da Pepsi-Cola. O terreno, que custou cerca de US$ 1,2 milhão aos cofres públicos, tem cerca de 120 mil metros quadrados e fica na BR-369, saída para Ibiporã.
O presidente da Comissão de Justiça da Câmara, Célio Guergoletto (PMDB), que acredita que a revogação é ilegal porque a Pepsi tem prazo até 31 de dezembro deste ano para construir a fábrica, emitiu um parecer prévio sobre o assunto sugerindo a vinda de um dos diretores a Londrina para explicar os planos da empresa em relação a construção da indústria. A comunicação também pode ser feita através de correspondência. O prazo para a manifestação da empresa termina no dia 18 deste mês.
O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Alex Canziani, tinha agendada para hoje uma reunião com o diretor do departamento jurídico da Pepsi-Cola, Ricardo Andreatta. Ontem, o diretor desmarcou o compromisso. Sua secretária informou à Folha que a nova data da reunião ainda não foi marcada.

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