Pepsi já admite desistir de Londrina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 1997
Cláudia Lopes 
O pedido de revogação da doação do terreno à Pepsi-Cola, feito pelo vereador Jaci Aguiar (PDT), pode levar a empresa a desistir de construir sua fábrica em Londrina, informou ontem à Folha Vasco Luce, vice-presidente da Baesa (Buenos Aires Engarrafadora S.A.). Ele concedeu entrevista por fax ao jornal. Apesar de afirmar que a revogação do acordo por parte da prefeitura certamente influirá diretamente nos planos da Pepsi em Londrina, Luce garante que a revogação não interfere nos planos em relação à região. Ou seja, a indústria poderia ser deslocada para outro município do Norte do Estado.
No fax, ele disse que a decisão de instalar uma unidade em Londrina faz parte de um plano estratégico de atender as regiões norte e oeste do Paraná, oeste de São Paulo e Mato Grosso do Sul, e que isto permanece inalterado.
Luce diz que um investimento do porte do previsto para a construção da fábrica de Londrina passa por dois fatores: o desenvolvimento das vendas na região e as condições da empresa em investir. As vendas da Pepsi na região de Londrina estão 30% abaixo do esperado pela empresa, segundo Luce.
O vice-presidente da Baesa, engarrafadora da Pepsi-Cola, disse ter investido mais de R$ 1 milhão na primeira fase da instalação da indústria em Londrina, ou seja, na construção do depósito para distribuição do refrigerante. O depósito funciona há um ano, gerando 30 empregos diretos.
Luce garante que o maquinário para a fábrica foi comprado e está na Krones, na Alemanha. A Krones é fabricante de equipamentos usados pela Pepsi. Vasco Luce disse também ter investido uma quantia significativa através de inúmeras atividades aos consumidores e clientes, inclusive apoiando diretamente a equipe de Londrina no Campeonato Brasileiro de Futebol da série B.
Segundo ele, a Baesa passa hoje por uma completa reestruturação financeira, que congelou os investimentos temporariamente. A conclusão deste processo, inclusive com a chegada de novos investidores, será também acompanhada por uma retomada e reavaliação das expansões, afirma Luce.
As obras da indústria estão paradas desde setembro de 95. A decisão da Pepsi em instalar uma fábrica na cidade foi tomada há cerca de dois anos. A fábrica, que receberia investimentos de US$ 20 milhões, deveria ter entrado em operação no início de 96.
A polêmica sobre a retomada do terreno da Pepsi começou quando o vereador Jaci Aguiar (PDT) protocolou, na Câmara, o pedido de revogação da doação e de revogação da prorrogação do prazo de doação do terreno da Pepsi-Cola. O terreno, que custou cerca de US$ 1,2 milhão aos cofres públicos, tem cerca de 120 mil metros quadrados e fica na BR-369, saída para Ibiporã.
O presidente da Comissão de Justiça da Câmara, Célio Guergoletto (PMDB), que acredita que a revogação é ilegal porque a Pepsi tem prazo até 31 de dezembro deste ano para construir a fábrica, emitiu um parecer prévio sobre o assunto sugerindo a vinda de um dos diretores a Londrina para explicar os planos da empresa em relação a construção da indústria. A comunicação também pode ser feita através de correspondência. O prazo para a manifestação da empresa termina no dia 18 deste mês.
O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Alex Canziani, tinha agendada para hoje uma reunião com o diretor do departamento jurídico da Pepsi-Cola, Ricardo Andreatta. Ontem, o diretor desmarcou o compromisso. Sua secretária informou à Folha que a nova data da reunião ainda não foi marcada.


