A Pepsi-Cola não construirá mais a fábrica de refrigerantes em Londrina. A decisão foi divulgada ontem de manhã pelo diretor da regional Sul da Brahma, Augusto Pires, e pelo gerente da fábrica de cerveja Brahma em Curitiba, Marcelo Favieiro, durante reunião com o prefeito Antonio Belinati e com o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Alex Canziani. A Companhia Cervejaria Brahma assinou acordo com a Pepsico no Brasil há cerca de dois meses, passando a ser uma franqueadora da Pepsi.
No início de novembro - 15 dias depois de assumir a empresa - representantes da Brahma estiveram em Londrina para avaliar a operação do depósito da Pepsi na Cidade. O depósito tem 2.509,37 de área construída e fica num terreno de 121.358,89, doado à Pepsi-Cola Engarrafadora pela Codel em junho de 1995 - na gestão do prefeito Luiz Eduardo Cheida.
A lei de doação previa a implantação de uma indústria de fabricação, engarrafamento, empacotamento, distribuição, promoção e venda de refrigerantes e águas minerais e outras bebidas. As obras da fábrica deveriam estar concluídas no prazo de doze meses contados da data da escritura, sob pena de reversão do imóvel ao domínio da Codel. Em 9 de julho de 1996, foi sancionada uma nova lei prorrogando o prazo concedido à empresa Pepsi-Cola para a construção da indústria. Este prazo, concedido em caráter improrrogável, termina amanhã. A Codel pagou R$ 1.296.000 pela área doada e também fez benfeitorias como terraplenagem e um poço artesiano. A prefeitura cuidou da pavimentação de uma rua ao lado do terreno, que fica na Br-369, saída para Ibiporã.
No próximo mês, representantes da Brahma voltam a Londrina para definir como fica a questão do depósito construído no local. Segundo Alex Canziani, a direção da empresa está disposta a devolver o terreno à Codel. Apesar de estar prevista na lei, Canziani diz que a retomada da área pode não ser um processo fácil se a Brahma não estiver disposta a negociar uma solução, já que a empresa possui escritura definitiva. ‘‘Estamos negociando com a Brahma. Se a empresa bater o pé, teremos que entrar na justiça para retomar o terreno’’.
O prefeito Antonio Belinati diz que os representantes da Brahma vão estudar três hipóteses para a solução do impasse: a compra da área onde está instalado o depósito, a permuta com um terreno que a empresa tem em Londrina (onde fica a Skol) e a transferência do depósito para o antigo prédio da Skol, no bairro Cervejaria. Para Belinati e Canziani, a última alternativa seria a decisão mais ‘‘acertada’’. ‘‘A Pepsi tem interesse em preservar sua boa imagem na Cidade. Reativar o prédio da Skol, gerar empregos naquela região e devolver o terreno à Codel seria a solução que Londrina aplaudiria’’, acredita Canziani.
Segundo ele, a Brahma ainda demonstra algum interesse em construir uma fábrica na Cidade, que é o terceiro mercado no Sul do Brasil em consumo de bebidas - perdendo apenas para Curitiba e Porto Alegre. ‘‘Mas isso é um projeto para ser discutido daqui dois ou três anos. Por enquanto, eles não tem condições de construir nenhuma indústria’’.

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