Pensionatos sofisticam os serviços
Cláudia Lopes
De Londrina
O número de serviços voltados para universitários aumentou no último ano em Londrina. Atualmente, muitos pensionatos levam e buscam os estudantes na rodoviária, além de oferecer moradia, refeição e até computador com internet.
O sócio-proprietário da Guest House, Ernesto Pedro, colocou dois computadores ligados à internet na sala de estudos do pensionato, além de um aparelho de fax. Os alunos estão buscando mais comodidade, disse ele, que cobra mensalidade de R$ 400, incluindo três refeições diárias, roupa lavada e passada e transporte para a rodoviária.
Há oito meses, a ex-dona de pensionato Dirce Garcia teve a idéia de criar uma central de atendimento para dar suporte aos estrangeiros que vêm de vários estados brasileiros para estudar na cidade.
A Caem Central de Atendimento ao Estudante e Moradia locou, apenas na última quinta-feira, 25 apartamentos para jovens que acabam de entrar na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os imóveis ficam perto da universidade e têm preços de aluguéis que vão de R$ 200 a R$ 350.
Os telefones da central não param de tocar há duas semanas. Além dos três funcionários fixos, a empresa teve que contratar sete atendentes. A Caem mostra imóveis para os estudantes em toda a cidade, leva e busca os alunos na rodovária e até acompanha quem desejar na hora da matrícula.
A empresa tem uma lista com nomes de 1,5 mil vestibulandos de vários municípios do País. Fizemos um trabalho de divulgação em cursinhos de São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Assis e Curitiba, contou Dirce. Somente em propaganda, a empresária investiu R$ 50 mil nos últimos 18 meses. Hoje, ganho o dobro do que quando tinha apenas pensionatos.
Tanto a idéia quanto a marca foram patenteadas. Dona Dirce, como é mais conhecida entre os alunos, atendia 44 alunos em seus três pensionatos quando percebeu que Londrina carecia de um serviço específico para este público. Os novos alunos ficam perdidos quando chegam na cidade. Os pais também sentem-se ansiosos com a saída dos filhos de casa. Muitas mães choram no momento da assinatura do contrato. Nesta hora, eu procuro tranquilizá-las.
Há dois meses, Dirce foi acordada de madrugada por um aluno da UEL que estava com uma forte dor de ouvido. Levei-o para o hospital, contou. Este tipo de atendimento é uma semente que germinará no futuro. Afinal, este aluno certamente vai recomendar minha agência para um parente ou amigo de fora.
A empresária diz que também tem feeling para apresentar pessoas interessadas em dividir o aluguel. Converso com as duas partes e procura aproximar pessoas que optaram por cursos parecidos, disse. Desta forma, a Caem serve como uma agência matrimonial para estudantes.
O aluno do curso de Direito, Eteocles Arnoni Júnior, de São José do Rio Preto (SP), conheceu seu novo companheiro de apartamento na Caem. Ele e a família vieram a Londrina na última semana para fazer matrícula e arranjar uma moradia. No escritório, Júnior encontrou um estudante de Araraquara (SP) que vai cursar Administração e queria alguém para dividir o aluguel de um imóvel de dois quartos. As famílias também se entrosaram e o contrato de locação do apartamento foi firmado na hora.





