Na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), 10 presos trabalham, atualmente, no canteiro de bolas, onde são produzidas bolas oficial e de futsal para a empresa Bordignon, de Arapongas. A parceria começou pouco depois que a PEL foi inaugurada, em 94. O chamariz, confessa o sócio-gerente da empresa, Laerte Tessaro Júnior, foi o preço da mão-de-obra, aliada à dispensa dos encargos sociais.
A Bordignon terceiriza a grande maioria da mão-de-obra necessária para a fabricação de aproximadamente 5 mil bolas/mês, que são vendidas para os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e algumas regiões do Mato Grosso. Além dos presos, outras 75 pessoas trabalham em suas casas costurando e dando forma ao produto.
‘‘Com os presos, concentramos uma parte da produção num lugar só. É mais fácil para recolhermos o material’’, comenta Tessaro. Essa facilidade tem sido, atualmente, o único benefício para a manutenção da produção na PEL. Segundo Tessaro, antes o custo de produção de cada bola era reduzido em até 30% devido ao uso da mão-de-bra dos presos. Com o reajuste do pedágio, que custa R$ 2,30, e os constantes aumentos do combustível, Tessaro diz que os custos já são praticamente os mesmos tidos com os terceirizados.
De janeiro até agosto, os presos de Londrina produziram 2.951 bolas. A Bordignon deixa materiais e apanha as bolas novas na PEL duas vezes por semana. Segundo Tessaro, a Bordignon paga à PEL R$ 1,68 por bola, sendo que 50% vão para as mãos dos presos e os outros 50% para um fundo da PEL. Já os terceirizados recebem de R$ 1,80 a R$ 2,00 por bola.
Os presos recebem o dinheiro e o benefício de um dia a menos no total da pena a cada três dias trabalhados, cumprindo de seis a oito horas de trabalho/dia. O diretor da penitenciária, Dyson Ferreira, informa que muitos detentos levam trabalho extra para as celas. Embora as horas que excedam o estabelecido não contem para a redução de pena, é uma forma de os detentos terem um rendimento melhor.
Claudemir Aparecido de Lima Netto é um dos detentos que faz ‘hora extra’. Ele está preso há quase cinco anos por furto e homicídio, crimes que lhe renderam uma pena de mais de 14 anos.
O detento entrou para o canteiro depois que foi transferido da cadeia de Arapongas para a PEL, há dois anos. ‘‘É uma atividade que ajuda a passar o tempo’’, diz ele, que trabalha das 8 às 16 horas. Até agora, além da renda mensal de cerca de R$ 120,00, usada para compra de produtos de higiene e roupas, ele acumula 62 dias a menos no total da pena.
O canteiro de bolas é aberto a todos os interessados e, segundo Dyson Ferreira, já teve época que o trabalho envolveu até 20 detentos. Hoje, muitos deles preferem trabalhar com artesanato, vendidos para as visitas na PEL, ou levados pelos familiares para serem vendidos fora. Outros, fazem trabalhos internos, como faxina, cozinha, padaria, serviços gerais, almoxarifado etc, envolvendo 199 dos 370 presos.
‘‘Queremos que mais empresários nos procurem para usar a mão-de-obra dos presos. Além de mais barata, não tem encargos sociais e ainda nos ajuda a manter o ambiente tranquilo’’, comenta o diretor.

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