A participação de produtos importados no consumo doméstico brasileiro bateu recorde no ano passado ao chegar a 21,6%, o maior da série histórica do indicador Coeficientes de Abertura Comercial, medido desde 1996 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O aumento sobre 2011 foi de 2,1 pontos percentuais (p.p), ou 10,7%. Economistas apontam que o indicador divulgado ontem reflete o processo de desindustrialização do País e ajuda a explicar o resultado fraco do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, que teve crescimento de 0,9% apesar da expectativa inicial do governo de 4,5%.
Também cresceram 1,2 p.p. as exportações de produtos nacionais, ou 6,1%, para chegar a 20,6% de tudo o que é produzido. No entanto, é possível ver um aumento maior na participação das importações por meio da comparação desde 2010 feita pela CNI. Naquele ano, tanto o que entrou no Brasil quanto o que saiu ao exterior somava 17,5% do total. Em 2012, as exportações foram ultrapassadas em 1 p.p. pelas importações.
Ainda, as compras de insumos estrangeiros pelas indústrias nacionais chegaram a 23,2%, outro recorde no indicativo. Desde 2010 o índice aumenta pouco mais do que 2 p.p. ao ano, em cenário semelhante ao do Paraná, que teve crescimento da penetração de importados nas empresas de 14,75% em 2010 e 18,14% no ano passado, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
O professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que os números ajudam a entender o crescimento medíocre do PIB. "Quanto maior o percentual de importações, mais empregos fora do País são gerados pelo consumo brasileiro", diz.
Para o economista da Fiep, Roberto Zurcher, o problema é o custo de produção do Brasil, muito superior ao dos concorrentes estrangeiros. Ele culpa a alta carga tributária e a falta de infraestrutura, além de dizer que o câmbio, no momento, é mais apropriado para importações do que para exportações. "Quando esse número (de importações) começa a crescer, causa a desindustrialização do País porque enfraquece o processo produtivo."
Staviski lembra ainda que a taxa de juros sofreu queda acentuada, mas ainda é alta. "O governo tem estimulado a oferta de crédito, mas precisa desonerar a produção", diz. Ele considera que há uma preocupação compreensível com a inflação, mas que a pressão no índice ocorre pelo custo, e não pela demanda. "Deveria reduzir os tributos sobre insumos para elevar a produção local, porque baixou impostos sobre consumo, mas a penetração de importados aumentou", sugere, ao citar a redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos e carros em 2012.
Zurcher acrescenta que os incentivos para a indústria deveriam ser precedidos por um plano de nacionalização da produção de insumos, como o lançado apenas no fim de 2012 para veículos. O programa Inovar-Auto condiciona a redução de IPI nos próximos anos ao desenvolvimento tecnológico no setor com produção nacional. "É preciso dar incentivos para que o empresário que tem tecnologia perceba que é mais vantajoso produzir aqui do que em outros países."

Imagem ilustrativa da imagem Penetração de importados sobe em ano de PIB baixo



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