O café ‘‘freeze dried’’ vai chegar ao consumidor final a um preço pelo menos 25% superior ao solúvel tradicional. O moderno sistema de produção preserva o aroma e mantém o café com o sabor do ‘‘torrado e moído’’ – bem ao gosto do consumidor brasileiro. Apesar disso, não está no mercado interno o maior potencial de vendas do produto que, na tradução literal, seria ‘‘seco a frio’’. Estados Unidos, Japão e Comunidade Européia são os clientes preferenciais. ‘‘A empresa deve exportar 98% da produção de 2.100 toneladas anuais’’, disse ontem o presidente da companhia, Sérgio Coimbra. Essa produção equivale a pouco mais de 7 milhões de xícaras de café que deverão ser consumidas diariamente. Atualmente, os Estados Unidos respondem por 38% das vendas da empresa e o Japão vem logo atrás, com 9%.
Os planos da Cacique – responsável por 30% da exportação brasileira de café solúvel – é agregar valor ao seu produto para conquistar uma clientela exigente, disposta a pagar mais por um produto superior. Para isso, a empresa aplicou US$ 25 milhões em recursos próprios na nova unidade e espera o retorno do investimento em um prazo aproximado de cinco anos. ‘‘Estamos adotando a tecnologia mais avançada que existe hoje para a produção de solúvel e temos, seguramente, a fábrica mais moderna do mundo’’, afirmou. A Cacique já era, antes mesmo da construção da unidade de 3.100 metros quadrados, a maior planta industrial para a produção de café solúvel.
Duas fábricas utilizam tecnologia equivalente à que a empresa londrinense está adotando, mas as instalações e equipamentos de ponta credenciarão a Cacique, segundo o presidente do grupo, a conquistar entre 30% e 35% do mercado consumidor desse produto. Delegações de clientes tradicionais do grupo prestigiaram a inauguração, ontem. Russos, japoneneses e norte-americanos conheceram a fábrica de ‘‘freeze dried’’. O primeiro contrato, no entanto, já foi fechado e terá outro destino: a Inglaterra.
Para ganhar mercado mundial – a Cacique já coloca sua linha de 20 produtos em 46 países – a empresa ‘‘globalizou’’ o rótulo do seu novo solúvel, que leva a consagrada marca ‘‘Pel钒. A embalagem terá duas faces: uma em inglês e outra no idioma local. A exceção será a China, em que o nome Pelé necessita da imagem do atleta para uma identificação mais rápida pelos consumidores. O ‘‘Pelé Gold’’ será vendido apenas na embalagem de vidro, nas opções de 50 e 100 gramas. (Ruth Meira)

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