Pela primeira vez trigo argentino chega mais caro
Vânia Casado
De Curitiba
Esse ano, pela primeira vez, o trigo argentino está chegando nos moinhos mais caro que o nacional, ao contrário de anos anteriores quando o produto importado chegava a preços baixos e prazos atrativos. Dessa vez a situação está invertida e o trigo nacional, colhido no Norte do Paraná, está sendo comercializado por R$ 230,00/t, no atacado, enquanto o produto importado está chegando no moinho por R$ 270,00/t.
Com um quadro mais animador, as cooperativas apostam em alta no mercado, mesmo em período de safra. Ainda existe espaço para elevação no preço do trigo nacional, disse Flávio Turra, assessor Ocepar. Enquanto isso, o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Paraná, Roland Guth, acredita que o produto terá uma pequena redução no preço, quando aumentar a oferta no mercado. Guth acredita que a comercialização do trigo será rápida, assim que intensificar a colheita. As cooperativas avisam que a tendência dos produtores é segurar a produção até o período da entressafra.
Turra prevê que a pressão de compra por parte dos moinhos será maior esse ano e por isso acredita que os preços vão se sustentar. O analista da agência Safras e Mercados, Marcos Paulo Fuck, concorda que a pressão de compra por parte dos moinhos vai ser grande e ele não acredita que os produtores terão fôlego para segurar a produção até o começo do ano que vem.
Conforme a agência Safras e Mercados, os grandes moinhos já compraram boa parte da produção que necessitam, sendo que de janeiro a julho desse ano importaram 3.986.000 t, bem acima do primeiro semestre do ano passado, quando foram importadas 3.571.000 t. Como a safra nacional esse ano é pequena, em torno de 2,4 milhões de t e o consumo anual está avaliado em R$ 8,5 milhões de t, as importações ainda vão continuar até o final do ano, prevê Fuck.





