Pela primeira vez, produção de trigo tem queda no Paraná
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
A contínua redução da área cultivada com trigo no Paraná, que vem sendo registrada há alguns anos, resultou, nesta safra, na primeira diminuição significativa da produção do cereal. A atual safra de trigo será 8% menor do que a anterior, ano em que havia sofrido prejuízos causados pela geada. O levantamento divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) mostra que a produção deve passar de 2,46 milhões de toneladas para 2,25 milhões este ano, ao mesmo tempo em que a área plantada deve chegar a 785,4 mil hectares, uma queda de 26% em comparação à safra passada (1,06 milhões de hectares).
A engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Margorete Demarchi, argumenta que, mesmo com produtividades recordes de trigo e clima favorável, será difícil alcançar o desempenho do ano anterior. Segundo a agrometeorologista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Dalgiza de Oliveira, a expectativa inicial é de que o clima do inverno deste ano se mantenha na normalidade, com temperaturas e índice de chuvas dentro da média climatológica da estação. ''Não deve ser registrada nenhuma anormalidade climática, mas sempre é difícil prever'', observa.
Diante desse cenário, o milho segunda safra se consolida como opção dos produtores paranaenses. O Estado deve bater recorde de produção do grão, com volume de 9,97 milhões de toneladas, 4,2% superior à estimativa anterior e 57% maior do que o volume colhido na safra 2010/11. As lavouras de milho devem ocupar 1,97 milhões de hectares dos campos paranaenses, 17% a mais do que os 1,69 milhões cultivados na safra anterior.
No total, a safra de grãos 2011/12 do Paraná deve chegar a 31,02 milhões de toneladas, o que representa 290 mil toneladas a mais do que o previsto pelo levantamento de março. Mesmo assim, a safra ainda deve ser 3% inferior aos 31,95 milhões de toneladas do ano passado. O desempenho é resultado da estiagem que atingiu as lavouras no verão e ocasionou quebra de 16% para o milho primeira safra, de 24% para a soja e de 20% para o feijão primeira safra. ''Reavaliamos as safras de soja e milho e notamos que a quebra foi menor do que o apontado no levantamento anterior'', afirma Margorete. O novo levantamento indica uma redução de 30% na safra de soja 2011/12 em comparação à anterior, que deve passar de 15,34 milhões de toneladas para 10,75 milhões este ano.
Preços
A agrônoma do Deral explica que os altos preços da soja estão amenizando, em parte, os prejuízos da safra. A média atual calculada pela Seab é de R$ 55 para a saca de 60 kg da oleaginosa, o que representa um aumento de 34% em relação aos preços pagos no mesmo período do ano passado (R$ 40,90). Os preços também favoráveis do feijão impulsionaram a segunda safra da cultura no Estado, que apresentou crescimento de 22% na área cultivada em comparação à safra anterior.
Segundo a Seab, a saca de 60 kg do feijão de cor é vendida a uma média de R$ 190, valor 156% superior ao registrado em abril de 2011 (R$ 74,41). A saca de feijão preto também sofreu valorização, passando de R$ 67,21 para R$ 90 em um ano. Já o milho registrou ligeira queda nos preços, que, segundo Margorete, é consequência do aumento da produção no Paraná e Centro-Oeste. No entanto, a desvalorização de 8% em relação ao mês passado não deve prejudicar os produtores.



