Pela primeira vez, maioria espera ano pior que anterior
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O número de pessoas que acreditam que este ano será pior do que o anterior foi maior do que o dos otimistas pela primeira vez desde 2010, segundo o Barômetro Global de Otimismo, feito pelo Ibope Inteligência no Brasil para a Worldwide Independent Network of Market Research (WIN). Para 38%, a prosperidade em 2015 será menor do que em 2014 e outros 35% creem no contrário.
Na pesquisa anterior, que comparou 2013 à expectativa sobre 2014, 49% estavam otimistas e 21%, pessimistas. A redução, entretanto, é gradual desde 2011, quando os votos positivos somavam 60% e os negativos, 14%, conforme o Ibope.
Os indicadores ruins da economia nacional divulgados desde o início do ano passado são apontados como causas para essa percepção. "Vivemos um período de prosperidade econômica em 2011 que não se mostrou sustentável. Assim, os sinalizadores de retração parecem já estar afetando o dia a dia do brasileiro, que se mostra gradualmente mais pessimista em relação ao crescimento do País", diz a diretora de marketing e novos negócios do Ibope Inteligência, Laure Castelnau.
Entretanto, o comparativo com o restante do mundo aponta para um negativismo global. Na América Latina, apenas o Peru tem mais habitantes que dizem que 2015 será melhor do que o Brasil, com 36%. Depois, aparecem Colômbia (34%), Equador (30%) e Argentina (21%). Por continente, a Europa Ocidental conta com 40% de pessoas que esperam um ano pior do que o anterior e a África, com 70% de otimistas.
Diretor executivo do Instituto Datacenso e especialista em comércio, Claudio Shimoyama afirma que, no Brasil, a percepção é diferente de acordo com o setor de atuação da população. "Parte dos comerciantes acredita que o desânimo vai ser maior em 2015, mas muitos dizem que será um ano melhor do que 2014 porque não terá Copa do Mundo ou eleições", afirma.
Na indústria, ele lembra que notícias sobre demissões, boa parte no segmento automotivo, geram mais insegurança e cautela no brasileiro do que nos anos anteriores, quando as contratações estavam em alta. "Temos uma pesquisa que mostra que o consumidor está preocupado, principalmente porque a inflação deve continuar alta neste início de ano", conta Shimoyama.
O professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), completa que a expectativa é formada pelas informações que as pessoas recebem. "Nos últimos anos, denúncias sobre corrupção têm aparecido mais, a geração de emprego não tem sido significativa, assim como o crescimento do PIB, e isso faz com que as pessoas percam a esperança."
Apesar de não enxergar no horizonte alguma ação que poderia reverter o quadro, Nascimento diz que uma mudança poderia ocorrer a partir do segundo semestre, caso comece um movimento de recuperação econômica. "Uma redução significativa da inflação, por exemplo, poderia gerar isso, mas no início do ano vai subir a energia elétrica, a água, alguns impostos, então não é algo para curto prazo", diz o professor.



