Pela primeira vez, IGP-DI fecha ano em deflação
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sábado, 09 de janeiro de 2010
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Pela primeira vez na história, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) encerrou o ano em deflação, e terminou 2009 com queda de 1,43%, após subir 9,10% em 2008. Usado como indexador das dívidas dos Estados junto à União, o IGP-DI também mostrou deflação de 0,11% em dezembro, ante alta de 0,07% em novembro. A crise global foi a grande responsável por derrubar o índice, o mais antigo entre os calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com série histórica iniciada em 1944.
Isso porque o cenário turbulento causou quedas e desacelerações de preços no atacado, varejo e construção civil - além de provocar valorização do real ante o dólar, o que reduziu preços de produtos relacionados à moeda norte-americana.
Mas o cenário de deflação não deve continuar em 2010, segundo o coordenador de Análises Econômicas da fundação, Salomão Quadros. Na avaliação do especialista, a trajetória de queda de preços ao longo de 2009 foi guiada por um cenário de recessão e de desaquecimento econômico no Brasil - fatores que não se encaixam nas perspectivas para 2010, que deve ser um ano de retomada na economia, e aquecimento na demanda doméstica. Para ele, a deflação apurada em dezembro foi passageira, causada por alimentos in natura em queda no atacado (de -4,86%), e o mês de janeiro deve voltar a mostrar aumento de preços no IGP-DI.
Quadros não descartou a possibilidade de descumprimento da meta inflacionária para 2010, prevista em 4,5%, devido ao risco de um aumento na demanda do mercado interno, por conta da trajetória de recuperação econômica do País - o que eleva preços, no varejo. ''A tendência é que haja ao longo do ano um risco de superação da meta inflacionária. A economia está em uma fase de aquecimento'' afirmou o especialista. ''Não vai haver explosão inflacionária. Não é um risco de inflação elevada e sim um risco de não cumprimento da meta'', resumiu.
O cenário deste ano deve ser bem diferente do ambiente de preços em 2009, que além de uma queda anual recorde no índice geral mostrou deflação de 4,08% nos preços atacadistas, que subiram 9,80% em 2008. Houve fortes deflações tanto em produtos industriais como em agrícolas. É o caso das quedas registradas em minério de ferro (-44,11%); adubos e fertilizantes compostos (-45,48%); bovinos (-9,82%); arroz em casca (-19,48%); e mandioca (-24,65%). ''O atacado foi o setor que mais contribuiu para a deflação, entre os três pesquisados pela FGV'', comentou o técnico.
O varejo e a construção civil também ajudaram no recuo da taxa de 2009. Os preços ao consumidor encerraram 2009 com alta de 3,95%, abaixo do desempenho de 2008 (6,07%). Já a inflação na construção civil terminou o ano passado com alta de apenas 3,25% - a menor em 11 anos e quase quatro vezes inferior à apurada em 2008 (11,87%).
Os IGPs
O IGP-DI não deve ser o único indicador a apresentar aumentos de preços em janeiro. A consultoria Tendências aposta em uma expressiva recuperação dos Índices Gerais de Preços (IGPs) em janeiro, como o Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) e o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) usado para reajustar preços de aluguel. ''Projetamos um IGP-M em torno de 0,35% para janeiro'', afirmou o analista da consultoria, Gian Barbosa.


