Pela primeira vez desde outubro de 1949, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) registrou no mês passado deflação no custo de vida do paulistano acumulado em 12 meses. Entre novembro de 1997 e outubro deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe recuou 0,15%, apesar de o custo de vida ter fechado o mês de outubro com uma ligeira alta de 0,02%.
O resultado do mês passado interrompeu três períodos consecutivos de queda registrados desde julho. E a perspectiva é que o índice continue positivo em novembro e dezembro, com aumentos de 0,40% e 0,30%, respectivamente, prevê um dos coordenadores do IPC, Heron do Carmo.
‘‘O fato de o IPC registrar pela primeira vez deflação em 12 meses é um indicador de que a fase de superinflação está encerrada’’, destaca o economista, enfatizando que esse recuo reflete a alta dos juros. Nas previsões de Heron, a deflação acumulada em 12 meses deverá persistir até agosto do ano que vem porque, a cada mês, o novo índice de preços que compõe a taxa acumulada deverá ser menor do que o registrado em igual período do ano anterior. Para 1998, ele mantém a expectativa de deflação de 0,5%. De janeiro a outubro, o IPC acumulado está em -1,24%.
No mês passado, o custo de vida voltou a ser positivo por causa da alta nos preços dos alimentos, que subiram em média 0,32%, e nos artigos de vestuário, que ficaram 0,17% mais caros. No caso dos alimentos, os maiores aumentos ocorreram nos preços dos produtos in natura (1,93%) e dos semi-elaborados (0,98%), tendência que deverá persistir este mês por causa da entressafra. O feijão foi um dos campeões de aumento no período - teve alta de 11,47%.
O prato típico do brasileiro, feijão com arroz, não impulsionou o índice só no mês passado. As estatísticas mostram que esses dois produtos juntos tiveram a maior alta, de 44,89%, no IPC acumulado nos últimos 12 meses. Desconsiderando a variação do arroz e do feijão, a deflação em 12 meses poderia ter ficado em 1%, calcula Heron.
Os artigos de vestuário também estão entre os que mais subiram em outubro. Na análise de Heron, esses aumentos já refletem a entrada na nova coleção e essa variação positiva nos preços deverá continuar pressionando o IPC de novembro. Os preços da habitação, transportes e despesas pessoais continuaram afetando negativamente o IPC, com quedas de 0,13%, 0,43% 0,11%.

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