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Muito otimismo para animar os paranaenses
Um ano otimista. Pelo menos tem sido assim que brasileiros, estrangeiros, economistas, empresários, políticos, governantes, enfim, toda população tem preferido classificar o ano 2000. Perspectivas otimistas também abarrotam os noticiários. Até o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que não pára de emprestar dinheiro ao País, acredita num crescimento de 4% para este ano. As pessoas preferem tomar como exemplo o ano passado, quando, apesar da reviravolta econômica do início do ano, provocada pelas crises da Rússia e asiática, o Brasil sobreviveu. Por isso, há uma certa razão em tanto otimismo, afinal, pior do que 99, 2000 não poderia ser. Ou será que pode? A verdade é que por mais otimistas que sejam as projeções nacionais, para o Paraná as coisas não parecem tão ‘‘positivas’’ assim. A primeira bomba foi o anúncio de aumento das tarifas de pedágio, apavorando o setor agrícola paranaense, em seguida, fica-se sabendo que serão reduzidos os recursos dirigidos à Secretaria de Saúde do Estado e, agora, em meio à enrolação sem fim da Reforma Tributária, o estado vizinho resolve boicotar a indústria paranaense. Galhinho de arruda atrás da orelha às vezes é bom...

‘‘Boa’’ vizinhança
No ano passado, o pólo moveleiro do Paraná experimentou uma pequena dose da destruição que uma verdadeira guerra fiscal travada entre São Paulo e Paraná pode causar. Para incentivar as indústrias paulistas, o governador de São Paulo, Mário Covas, já avisou que irá sobretaxar definitivamente os produtos de outros estados, o que atinge a maioria dos setores econômicos paranaenses, mas que definitivamente derruba o setor moveleiro do estado. O mercado paulista responde por 30% das vendas do pólo moveleiro do Norte do Paraná.

Reformas imaculadas
Como imaginar que serão derrubadas as barreiras econômicas erguidas pelos participantes do questionável Mercosul, se o governo não consegue resolver os mesmos problemas dentro do próprio País? A tão sonhada, e quase imaculada Reforma Tributária, se saísse do papel, talvez pudesse poupar alguns brasileiros do desespero, principalmente se fosse somada às reformas Administrativa, da Previdência, do Judiciário...

Pedágio mais barato
Bom se fosse possível acreditar nas notícias. ‘‘Nos novos editais de concessão de estradas federais as empresas concessionárias serão responsáveis apenas pela manutenção e conservação das rodovias. A construção de novos trechos e trevos de acesso ficará a cargo dos estados e municípios que se beneficiarão das obras. No caso de obras de interesse da União, a construção será de responsabilidade do governo federal. O objetivo é garantir menores tarifas de pedágio e a melhoria dos serviços’’, afirmou o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha

Conta mascarada
Ingenuidade ou não do nosso ministro, mas a verdade é que estamos assistindo diariamente à ‘‘briga’’ do governador Jaime Lerner para conseguir, mesmo após o aumento da tarifa do pedágio, que as concessionárias realizem as obras necessárias nos trechos por que são responsáveis. Será que o ministro acredita mesmo que esta atitude pode fazer com que as tarifas do pedágio diminuam? Para nós, meros ‘‘contribuintes’’ o assunto soa mais como máscara para uma conta que, de um jeito, ou de outro, nós acabamos pagando.

Recordista
Algumas boas notícias ainda podem salvar o Paraná da iminência de ganhar o título de estado azarão do ano 2000. Enquanto a Volkswagen demite funcionários em todo o País, a fábrica da empresa instalada em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, é responsável pela criação do maior número de empregos entre as montadoras que se instalaram recentemente no País.

Os números
Em um ano de operação – a ser completado dia 18 –, a Volkswagen/Audi já empregou 2.200 pessoas. Desse total, 90% são da região metropolitana. O número de empregados deverá chegar a 2.500 quando a fábrica estiver operando com capacidade total de 550 carros por dia. Hoje são produzidos diariamente 250 carros.

Energia no atacado
O Mercado Atacadista de Energia Elétrica começa a operar com regras definidas ainda no primeiro semestre de 2000. Nos próximos dois meses, as empresas do setor devem discutir e aprovar as pendências referentes ao tratamento da liquidação no mercado ‘‘spot’’, durante o período de transição, em que ainda vigoram os contratos iniciais firmados entre geradoras e distribuidoras.

Choque em etapas
Uma comissão, formada por 6 conselheiros analisará se deve ou não haver tratamento diferenciado no período dos contratos iniciais, em que toda a energia gerada está contratada por tarifa definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até 2003. A partir desta data, a cada ano, uma parcela de 25% da capacidade de energia será livremente negociada, até que, finalmente, em 2006, a totalidade da energia contratada em 99 poderá ser colocada no mercado.

IR 2000
Com o objetivo de esclarecer as principais alterações na legislação fiscal, aplicáveis às pessoas jurídicas a partir deste ano, a Arthur Andersen realiza na próxima quarta-feira, no Hotel Bourbon, em Curitiba, o seminário IR 2000. Entre as principais modificaçõs previstas para este ano estão a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre determidos rendimentos – inclusive leasing –, a tributação de remessas ao exterior, a legislação de preços de transferência e as alíquotas de Contribuição Social sobre Lucro Líquido. Informações: (41) 223-9511.

Foi dito
‘‘O Brasil com a moeda forte gerou um déficit na balança de transações corrente e a forma de suportar isso foi com o ‘hot money’. Só que isso gerou a destruição do nosso comércio externo’’. Do ex-ministro das Finanças Rubens Ricupero. ‘‘Na época, eu achava que os juros altos não poderiam durar mais do que algumas semanas e não 4 anos.’’

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