Pedro Ribeiro (Livre Iniciativa)
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Crescimento zero gera mais desemprego na AL
Estudo divulgado ontem em Santiago do Chile pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) demonstra que a América Latina registrou este ano um crescimento zero, provocando o aumento do desemprego para 8,7%. O Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado foi de 2,1% (para 5,4% em 1997). Segundo o secretário executivo da Cepal, o colombiano José Antonio Ocampo, a queda do PIB foi provocada pelas crises russa, asiática e brasileira, que afetaram os países latino-americanos em diferentes períodos e com intensidades distintas. Antes das crises, a taxa de desemprego na AL era de apenas 0,7%, apesar do Brasil. A previsão para o ano 2000 é de retomada gradual do crescimento, devendo o PIB chegar a 2,6% -se der certo a torcida pela expansão da economia global, capitaneada pelos EUA com a esperada recuperação da tigrada asiática.
Qual a saída?
Economistas ligados à Cepal, como Prebisch, uma espécie de guru dos economistas latino-americanos, defendem reformas institucionais, necessárias para corrigir falhas das políticas tradicionais de industrialização substitutiva fenômeno bem conhecido de brasileiros e, particularmente, paranaenses. Segundo os cepalinos, as crises dos anos 90 demonstraram que as reformas de mercado de fins dos anos 80/começo dos 90 foram insuficientes.
Mais reformas
A Cepal defende paraos países latino-americanos uma reforma mais profunda do setor financeiro, a consolidação e reforma do Poder Judiciário, ampla reforma tributária e uma nova estrutura de mercado de trabalho e relações de trabalho. Os economistas alertam que só reforma de mercado pode trazer consequencias involuntárias graves, que só prejudicam o desenvolvimento.
O futuro da AL
Trata-se agora de desenhar e executar o que eles chamam de reformas de segunda geração, mas a tarefa não será fácil, avisam, nem no plano técnico nem no político. Sem tais reformas, alertam os cepalinos, o enorme potencial da América Latina para aproveitar plenamente as vantagens da globalização continua à mercê das vicissitudes externas. Em bom português, são as tais reformas defendidas por FHC, que trabalhou no Cepal quando estava exilado no Chile. Reformas que, quando andam, é a passo de cágado. Resta esperar e, como diz o papa, quem viver, verá.
Números do desemprego
O número de trabalhadores desempregados é de 1.192.400, o mais baixo desde 1980. De outubro para novembro, a taxa de desocupação caiu de 4,2% para 4,1%. Nos últimos três meses, a média mensal de redução no número de pedidos de auxílio-desemprego é de 7,5 mil. Onde? No Reino Unido, Primeiro Mundo. Lá, o número de desempregados é menor que o da Grande São Paulo. Por aqui, só na região de Curitiba, bem menor e vivendo um acelerado processo de industrialização, calcula-se que haja perto de 200 mil trabalhadores sem emprego.
Exemplo paranaense
A Bergerson Joalheiros, fundada em 1964 numa lujinia na Rua XV, em Curitiba, completa 35 anos em pleno vigor. Hoje é uma rede de 26 lojas, em Curitiba, Londrina, Maringá, Joinville e São Paulo. A rede é a maior do Sul do País. E, o que não é pouco, mantém 400 postos de trabalho.
Investir em imóveis
Até agora ocupados apenas por Fundos de Pensão e grandes empresas, os fundos de investimentos imobiliários começam a crescer no País, com a participação também de pessoas físicas. A C&D DTVM, de Curitiba, corretora pertencente ao ex-secretário do Planejamento Vilson Deconto, já administra vários desses fundos e tem estruturado outros. Interessados podem fazer contato com Deconto pelo site www.ceddtvm.com.br
Leilão eletrônico
A Lokau.com firmou parceria com o Canal Shoptime e realiza, até amanhã, leilões virtuais ao vivo, com lances iniciais de R$ 0,99. Monstrinhos Pokémon, bonecos, CDs e outros produtos estão em oferta, sempre a partir das 17 horas. Para cadastrar-se e participar, o site é www.shoptime.com.br
Parceria
A alemã Audi AG e a Senna Import, pertencente à família herdeira do piloto Ayrton Senna, lançaram anteontem, em São Paulo, a joint venture Audi Senna Ltda., que a partir de agora fará a distribuição dos veículos da marca no País. A empresa tem 51% de participação da Augi AG e 49% da Senna Import. Desde a chegada da marca ao Brasil, há cinco anos, já foram vendidos cerca de 18,4 mil veículos. Não foi à toa que, em meados deste ano, a Audi plantou sua fábrica no Paraná.
Cigarro
O Instituto Miguel Calmon (Imic), sediado na Bahia, premiou ontem, no Rio, a Souza Cruz como a Melhor Empresa do País. Detentora de 83,1% do mercado brasileiro de cigarros, a Souza Cruz obteve este ano 32,1% em rentabilidade da receita e 37,8% em rentabilidade do patrimônio. Outros critérios para a premiação foram a liquidez corrente e o endividamento. Foram avaliadas cinco mil empresas. O lucro da Souza Cruz em 1998 foi de R$ 480,5 milhões, dos quais cerca de 1% foi destinado a programas sociais. É um bom número para o ministro José Serra comparar com o gastos do Ministério da Saúde com tratamento de vítimas do cigarro.
Mais Koch-Weiser
O ministro das Finanças da Alemanha, Hans Eichel, disse ontem, em Berlim, que os participantes do encontro do G-20 decidiram apoiar a indicação do secretário de Estado de seu ministério, Caio Koch-Weiser, para o posto de diretor-gerente do FMI, em lugar de Michel Camdessus, que se aposenta am fevereiro. Para o canadense Paul Martin, que não confirmou a informação de Eichel, Koch-Weiser é altamente qualificado. Se fosse carioca, paulista ou baiano, o paranaense de Rolândia Caio Koch Weiser estaria sendo apoiado por governadores, ACM, FHC e Rede Globo. Nós, mortais Manés, continuamos torcendo.
Malas e malas
O site O Bagual, mantido na Internet pelo jornalista João Meassa, divulga hoje os premiados com o título de Mala do Ano. Concorrem desde o governador Jaime Lerner ao próprio Meassa, passando pelo dublê de apresentador e deputado Luiz Carlos Alborghetti. O endereço eletrônico é www.obagual.jor.br





