Pedro Ribeiro (Livre Iniciativa)
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Os números do Unicef e a nossa realidade
O Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Adolescência (Unicef) divulgou ontem seu Relatório sobre a Situação Mundial da Infância 2000. As conclusões do estudo são de assustar, principalmente quando confrontadas com a propaganda do governo federal. Segundo o Unicef, 3 milhões de crianças, entre 5 e 14 anos de idade, continuam no mercado de trabalho. A pesquisa revela que 18 mil crianças são espancadas diariamente e só 2% desses casos são denunciados. Quanto à distribuição de renda, o Brasil é colocado no triste time dos países que a ignoram, como Panamá, Quênia, Zâmbia e Costa do Marfim. É a famosa miséria que une Lula e ACM, provoca engulhos em FHC e, entra governo, sai governo, continua de causas e consequências medievais.
Mortalidade
De acordo com o relatório do Unicef, a mortalidade infantil no Brasil tem caído, o que não deixa de ser um consolo. O número decresceu de 47,8 para 36,1 mortes por mil crianças nascidas vivas. O País perde 120 mil brasileirinhos todos os anos, antes de eles completarem um ano de vida. Destes, 57 mil morrem ainda na primeira semana de vida. É verdade: 57 mil cidadãos do ano 2000 não viverão mais que uma semana.
Nossos números
O Paraná exibe números menos desalentadores que os nacionais. Aqui morrem 20,7 crianças por mil nascidas vidas. A estatística poderia ser um pouco melhor, não fossem os bolsões de pobreza em certas regiões, como o Vale do Ribeira, e e na periferia das grandes cidades. Em Curitiba, os índices de mortalidade infantil, se não de primeiro mundo, são animadores. São 16,4 mortes por mil crianças nascidas vivas. Mas não há nada a comemorar. Os governantes, como disse o jornalista Clóvis Rossi na revista Jornal dos Jornais, não merecem elogios quando nada fazem além de cumprirem com sua obrigação.
Pastoral
Elogios merecem as ações das ONGs, sem as quais teríamos estatísticas ainda mais graves. É o caso da Pastoral da Criança, comandada nacionalmente de Curitiba por Zilda Arns, irmã do cardeal Paulo Evaristo. Com balanças manuais, orientações nutricionais, de higiene e de saúde e visitas constantes aos barracos onde vive a miséria brasileira, Zilda Arns e suas companheiras mostraram como se pode salvar milhares de vidas. Não à toa, ela já foi lembrada para o Prêmio Nobel da Paz. Merece.
Até a GM
Embora tímidas no atacado, ações da iniciativa privada servem de exemplo para todos. Temos a Fundação Abrinq, o Instituto Ayrton Senna e outras. Agora a GM anuncia ter firmado parceria com o Banco de Alimentos, de São Paulo, em projeto criado este ano por uma ONG com o mesmo nome. Lá o banco conseguiu arrecadar, de fevereiro a setembro deste ano (são as estatísticas mais recentes), 54 toneladas de alimentos, distribuídos para 19 entidades, que por sua vez atendem mais de 2 mil crianças e adultos. O objetivo da parceria com a GM é arrecadar pelo menos 10 toneladas/mês de alimentos. É exemplo a ser seguido.
Quer ser sócio da Globo?
A Globo Cabo S.A., braço de TV a cabo das organizações Globo, anunciou ontem a emissão de 3,5 mil debêntures, no valor de R$ 100 mil reais cada e valor total de R$ 350 milhões de reais. São atualizadas monetariamente pelo IGP-M e rendem juros de 12% ao ano. As debêntures são nominativas, escriturais, e podem ser convertidas em ações preferenciais (sem direito a voto).
Capitalização
É a segunda emissão de papéis dentro do processo de recapitalização da empresa, no valor total de R$ 842,9 milhões. Em 16 de novembro, a Globo Cabo já havia promovido um aumento privado de capital, no valor de R$ 492,9 milhões. O aumento de capital é subscrito pela Microsoft Corporation, BNDES Participações e Grupo Bradesco. Com mais de 1 milhão de assinantes, a Globo Cabo é a maior operadora de TV por assinatura do País. Novidade: vem aí uma programação especial e preços especiais para a classe C.
Koch-Weser
Em entrevista a um jornal polonês de título impronunciável, o presidente do FMI, Michel Camdessus, aderiu à candidatura do brasileiro-alemão Caio Koch-Weser para sua sucessão. O Brasil tem dois meses para assumir seu papel na campanha. É Rolândia fazendo sucesso. Depois do Dr. Rosinha na Câmara Federal, agora será conhecida até no FMI.
Construção civil
A AE informa que o Índice Nacional da Construção Civil subiu 1,51% em novembro, ficando 0,81% acima do de outubro. A maior variação foi registrada no Centro-Oeste (2,02%) e menor, no Sul (0,97%). Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), o Custo Unitário Básico (CUB) de novembro ficou em 1,03%. A alta foi pressionada, mais uma vez, pelo aumento de preços dos insumos. Os salários continuam na mesma. Amanhã o presidente da entidade, Eliel Lopes Ferreira Júnior, fala sobre o que nos espera no ano que vem.
IPVA
A coluna estava sendo fechada quando começaria, no plenário da Assembléia Legislativa, a votação da proposta do governo para o IPVA. No começo da tarde, um buzinaço de uns dez caminhões tentava assustar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que tratava de aprovar a matéria rapidinho. O que vem aí: 15% de desconto para pagamento do imposto à vista em janeiro; 5% de desconto para pagamento à vista em fevereiro; parcelamento, sem desconto e sem choro, de fevereiro a maio.
Fália noça
A coluna errou ao informar que seria ontem, em Brasília, o anúncio oficial da safra 1999/2000 pelo ainda ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes. O anúncio, na verdade, estava programado para hoje. E Pratini continua sobre o telhado.





