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Brasileiro pode comandar o FMI. O que diz o Brasil?
Ministros das Finanças dos países da União Européia reunidos em Helsinque, a capital da fria Finlândia, concordam, em sua maioria, em apoiar a candidatura do secretário de Estado do Ministério das Finanças da Alemanha (a rigor, ministro), Caio Koch-Weser, ao comando do Fundo Monetário Internacional. Ele é um dos mais cotados a substituir Michel Camdessus, que pediu aposentadoria. Segundo a agência Dow-Jones, ao citar ontem uma fonte não identificada, o assunto foi discutido a fundo e é possível que a UE apóie em bloco a candidatura de Weser, que ocupa cargo no governo alemão desde o segundo trimestre deste ano. Filho de alemães, nascido em Rolândia, onde viveu até a adolescência, Koch-Weser fala português fluentemente e passa as férias no litoral pernambucano, onde é vizinho do locutor Luciano do Valle e do técnico Leão. Pois bem. Toda essa introdução é para perguntar: por que o Brasil não adere rapidinho à UE e não parte para o apoio explícito à candidatura Weiser?

Fundador
Como se sabe, o Brasil é um dos países fundadores do FMI, representando que foi em Bretton Woods por Octavio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos. É expressiva liderança na América latina, quer queiram ou não, e pode fazer uso de seu prestígio para defender a candidatura de Koch-Weiser. Afinal, é bem melhor termos no FMI alguém que fale a nossa língua e conheça nossos problemas de perto do que algum tecnocrata insensível que só fale em metas, sem conhecer seu pesado custo social.

Bretton Woods
Foi em 1944, na cidade de Bretton Woods, estado norte-americano de New Hampshire, que Estados Unidos e Inglaterra (sempre eles) se reuniram com seus aliados capitalistas para, inspirados em Keynes, elaborarem uma nova ordem econômica mundial. Tratava-se de, pela primeira vez civilizadamente, nações de todo o mundo estabelecerem um mecanismo para regulamentar o sistema financeiro internacional. Nasciam ali, simultaneamente, o FMI, o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (o Banco Mundial, ou Bird) e o sistema de taxas de câmbio de Bretton Woods. Este consistia, basicamente, em manter as vantagens e eliminar as desvantagens do padrão ouro.

O FMI
O Fundo Monetário Internacional manda seus perdigueiros a países em dificuldade com seu balanço de pagamentos, sempre que chamado ou quando acende a luz vermelha. Vem o pretendido socorro, definem-se as metas e o país em dificuldades sempre se safa. É o que pretendiam os mocinhos do filme, mas a história, como se vê, é bem diferente. O preço que se paga é altíssimo e se traduz, em todos os países que recorrem ao Fundo, em empresas quebrando, desemprego, miséria. A indicação de Caio Koch-Weiser para o lugar de Camdesus pode ser reflexo da autocrítica que o FMI andou fazendo. Pode ser o humanismo assumindo a economia mundial no que, espera-se, seja uma nova era.

Mercosul
O novo presidente da Argentina, Fernando De La Rúa, foi empossado ontem no cargo, com a presença de chefes de Estado de vários países. Fernando Henrique estava lá e elogiou as intenções do novo colega, que de cara prometeu prioridade a contenciosos ainda existentes no âmbito do Mercosul. A boa diplomacia começa com palavras agradáveis, mas exige competente negociação. O tom do entendimento (ou falta de) será dado pelos primeiros movimentos do novo Ministério argentino. E mais adiante veremos o que fará de verdade o Uruguai.

Tensão na fronteira
O tema Mercosul fica mais delicado em relação à situação política do Paraguai. Oviedo sumiu da Argentina, onde esteve asilado e depois confinado, num total de nove meses. E o presidente Macchi, dizem que sem pulso, não consegue impor respeito a seus falcões. É golpe (mais um) à vista.

Com conceito
O Deutsche Bank, um dos pesos pesados mundiais, anuncia que o Brasil (e o México) são boas referências para investimentos no ano 2000. Os dois são classificados como acima da média entre os países latinos nos quais se pode investir com segurança. Especialmente no caso brasileiro, apesar de o PT gritar o ‘‘fora FHC’’, pesa também a estabilidade política.

Leão feliz
A Receita Federal informou ontem que a arrecadação dos impostos que administra chegou em novembro a mais de R$ 13 bilhões – um crescimento de 22,27% em relação a novembro de 1988. Quanto à restituição do Imposto de Renda, quem ainda não lhe viu a cor pode consultar o site do Ministério da Fazenda para ver se seu nome está lá. Se não estiver, o jeito é bater o umbigo no balcão para conferir se não caiu na malha final. O endereço na Internet é www.receita.fazenda.gov.br

Japs
Por falar em Internet, a japonesa Sony anuncia que vai lançar seu banco virtual na rede mundial de computadores. A expectativa é somar, já no ano que vem, depósitos de quase US$ 10 bilhões.

Saci-2
O governo brasileiro lança hoje, da base aérea de Alcântara, no Maranhão, o Satélite de Aplicações Científicas-2, o Saci-2. Mais de 600 técnicos estão diretamente envolvidos no lançamento e, pela primeira vez, a imprensa poderá estar por perto. O Saci-2 será lançado com o objetivo de fazer companhia ao Saci-1, que foi para o espaço e não deu mais sinal de vida.

Pedro
A coluna informa que seu titular deixou ontem o Hospital Santa Cruz, em Curitiba, onde passou temporada curando uma traiçoeira meningite. Pedro Ribeiro já está em casa e, como diriam os boletins médicos, deambula sem intercorrência. Até segunda.

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