Pedro Ribeiro (Livre Iniciativa)
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O setor bancário brasileiro
A quantas anda o setor bancário? Considerado o vilão dos pobres e o grande aliado dos ricos, o banco, como outra empresa qualquer, não está imune às transformações do mercado e começa a despontar como um dos setores mais vulnerávies à globalização. E este provavelmente será o maior dos Desafios do Sistema Bancário Brasileiro no Terceiro Milênio, segundo Alberto Borges Matias, professor da Universidade de São Paulo (USP), que traçou recentemente um perfil do setor, reforçando alguns dados já conhecidos e despertando o mercado para situações iminentes.
Profecia
Borges Matias aponta como macrotendências para o setor, obviamente, a globalização e consequente acirramento da concorrência, redução de spreads, maior demanda por qualidade de serviços, desestatização, maior controle público e controle de despesas, com controladoria e compartilhamento de estruturas.
Exigências
Além das tendências, as exigências de mercado deverão traçar os desafios do setor bancário no próximo milênio. De acordo com o professor, as empresas multinacionais deverão exigir dos bancos brasileiros harmonização de padrões de contabilização, fluxo internacional de capitais, crédito de longo prazo e taxas de juros compatíveis com a rentabilidade.
Padrão brasileiro
Já as empresas nacionais devem exigir do setor uma rede de apoio internacional e nacional, recursos de longo prazo, também taxas compatíveis com a rentabilidade, integração de sistemas e gerente como consultor.
Centra e descentra
Para atender e satisfazer todos os gostos, a organização bancária deve ater-se à centralização de áreas de apoio, visando à redução de despesas e uniformização, à racionalização da despesa administrativa e de pessoal e à descentralização das áreas fins, visando ao atendimento por gerentes com visão integrada de produtos, operações e negócios.
Competição
De acordo com o professor da USP, a competitividade no setor bancário estará centrada na função e não na forma. Por isso, a vantagem competitiva estará fundamentada na integração da cadeia de produção, na tecnologia aplicada, na oferta de produtos e serviços e na percepção de valor pelo cliente.
Cada um
A vantagem competitiva também passa por um fator já bastante conhecido: a segmentação, que inclui personalização e individualização de serviços e produtos de acordo com cada tipo de cliente por ramo de atividade, demografia, sexo, faixa etária, entre outros.
Rentabilidade
No contexto internacional, o setor bancário brasileiro apresenta a sexta maior rentabilidade sobre o patrimônio líquido (12,3%), ficando logo atrás da Suíça, com 12,4%. O setor inglês é o líder mundial em rentabilidade, com 20,2%.
Liderança
O Brasil só é líder no que diz respeito à capitalização sobre ativos, com 13,5% seguido pela Inglaterra, com 7,5% e em despesas operacionais sobre ativos, com 8,7%, valor três vezes maior que a média internacional.
Balanço
Como resultado dessa avaliação, Borges Matias conclui que os bancos brasileiros possuem rentabilidade similar ao setor internacional, spread elevado, alavancagem baixa e despesas operacionais muito altas. Ele ressalta que, em termos absolutos, não haverá ajuste estratégico de bancos por despesas, que é suicídio estratégico focar despesas, mas é preciso contê-las.
Inadimplência
Segundo o professor, na América Latina, os sistemas bancários menos problemáticos são justamente o brasileiro e o chileno. No entanto, além das características verificadas em relação ao mercado interncioanal, no Brasil, o setor ainda apresenta fatores como alto nível de inadimplência e elevada margem de serviços.
Soluções
Se tudo sair como o professor imagina, a redução das taxas de juros deverá resolver, pelo menos, o problema da inadimplência. No que se refere à elevada despesa administrativa, a sugestão é apostar mais nas redes de informatização. Com relação à elevada margem de serviços, o professor sugere que os bancos incorporem as receitas de serviços e ampliem sua prestação.
Segredo do sucesso
Em meio a tantos números e situações particularmente brasileiras, as perspectivas para o setor bancário do Brasil no mercado global são de que deve reduzir o número de bancos de varejo, com aumento do número de bancos sinérgicos e de investimento e negócios. Segundo o professor Borges Matias, o sucesso na globalização irá depender diretamente da competência no ganho de economia de escala, no controle de despesas, na gestão de riscos, na internacionalização de fluxos e na criação de valor.





