Pedro Ribeiro (Livre Iniciativa)
Informações para esta coluna pelo e-mail
[email protected] ou pelo fax (041) 253-3692.
Rafael e a mulher de César
O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, foi ontem ao Senado, como convidado, para responder a questões até então inexplicadas sobre o faladíssimo Instituto de Desenvolvimento do Desporto (Indesp) e seu possível envolvimento com a máfia dos bingos. Orador de rara agilidade mental, Rafael até que não se saiu mal, mas não deixou de aparentar aquele jeitão de ator seguro do texto bem decorado e sabedor do final da peça um argumento engendrado por seu partido, o PFL. Los tres amigos, Alvaro, Roberto e Osmar, tentaram de todo jeito sacudi-lo do galho, mas o ministro manteve o aplomb, mesmo quando instado, pelo petebista Jefferson Peres, a entregar a rapadura e ir para casa. O ainda ministro deixou, contudo, várias indagações sem respostas claras e sérias dúvidas sobre seu conhecimento ou desconhecimento de certos auxiliares, como o jurisconsulto Paulo Araújo. Possuidor de espesso verniz cultural, Rafael Greca deve, afinal, conhecer a história da mulher de César, à qual não basta ser honesta é preciso também parecer honesta.
Fala, Gionédis
Enquanto Greca era sabatinado em Brasília, o secretário paranaense da Fazenda, Giovani Gionédis, abria, em Curitiba, também a convite, a contabilidade do Estado para deputados paranaenses. Em 30 minutos fez um exame de contas e em pouco mais de duas horas respondeu a perguntas de afoitos, destemperados e também de equilibrados parlamentares.
Caixa branca
Nunca se viu tantos números. E praticamente todos isentando o Estado de qualquer irresponsabilidade. O déficit primário do Estado não surgiu no governo Jaime Lerner, disse Gionédis, explicando que em 1994, antes de assumir o governo, a evolução do déficit bateu 8,85% e um ano antes chegou a 11,04%.
A culpa
O secretário da Fazenda mostrou que, da dívida total do governo do Paraná, que somava R$ 9,112 bilhões em 30 de junho deste ano, 74,86%, ou seja, R$ 6,821 bilhões, correspondem a dívidas originadas em governos anteriores à primeira administração do governo Jaime Lerner.
Isenção
Foi mais explícito: para cada R$ 4,00 que o Paraná deve atualmente, R$ 3,00 foram tomados emprestados antes de Lerner assumir. Outros 30,8% ( R$ 2,806 bilhões) correspondem a empréstimos para sanear o Banestado de operações realizadas em governos anteriores.
Vem artilharia
Se Roberto Requião bateu pesado em Rafael Greca em Brasília, deve recarregar sua artilharia para contestar (se for o caso) o secretário Giovani Gionédis. Apostamos que o senador não vai deixar barato, mesmo porque estaria, efetivamente, assumindo tais endividamentos e pelos quais o governo Jaime Lerner estaria panalizado.
Sem arrecadação
Em sua explanação aos deputados que se faziam presentes na Assembléia Legislativa, Gionédis disse que o Paraná deixou de arrecadar R$ 710 milhões nos últimos dois anos. A Lei kandir, que isentou exportadores de recolher ICMS, provocou perda de arrecadação de R$ 510 milhões ao Tesouro Estadual.
Mão no bolso
Esse argumento levou o presidente da Federação da Agricultura, Ágide Meneguette, a questionar a posição de governadores de estados que defendem a revogação da Lei Kandir. Para ele, querem meter a mão no bolso dos produtores.
Questão de opção
Do depoimento de Giovani Gionédis, fica uma dúvida. Se tudo está perfeitamente correto, como o próprio secretário mostrou, por que demorou tanto para aceitar o convite dos deputados e mostrar as contas? A assessoria do secretário explicou que se tratou de opção do próprio secretário.
Multas nas ruas
Enquanto Greca e Gionédis passam por linha de fogo, o prefeito Cássio Taniguchi navega em mar calmo. E não perde a chance: a partir do dia 29 as multas dos radares eletrônicos, instalados em várias esquinas de Curitiba, começam a ser oficiais. Até o final do ano estarão instalados 15 radares.
Façam as contas
Em apenas um cruzamento de Curitiba Avenida Silva Jardim, esquina com rua Bento Vianna , e em um único dia, nada menos do que 1.749 veículos não respeitaram o sinal vermelho. A multa para essa infração é de R$ 175,86. Quer dizer que neste único dia e neste único cruzamento, a Pefeitura Municipal de Curitiba (Diretran) arrecadaria R$ 307.579,14. A Consilux, empresa contratada para operar o sistema, fica com R$ 9,50 para cada multa, o que representaria R$ 16.615,50, neste dia, neste cruzamento.
Pirotecnia
Shows e atrações artísticas são os instrumentos que a Associação Comercial do Paraná utilizará, a partir de amanhã, para incrementar as vendas no comércio lojista de Curitiba.
TIM não cobra
A respeito de nota publicada ontem nesta coluna, a TIM Telepar Celular esclarece que quando as ligações forem interrompidas pelos operadores da empresa, elas não são cobradas.





