Pedro Ribeiro (Livre Iniciativa)
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Renault arranca e mostra garras
A Renault do Brasil mostra as garras. E bem como mostra a peça publicitária: engatou mesmo a quinta marcha. Quer deslanchar. O Novo Clio - pequeno grande carro brasileiro - produzido em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, será uma das alavancas da montadora, pois está planejado para ser o maior volume de vendas da empresa no País. Para o ano 2000, a Renault prevê a comercialização de 32 mil unidados do novo carro. Alain Margaritopol (foto), diretor comercial da montadora, vai mais longe: o plano é vender 80 mil veículos no próximo ano. Com a chegada do Novo Clio, a projeção não é nada tímida: quer a participação de 5% do mercado total brasileiro. O novo modelo, apresentado em Florianópolis e já divulgado recentemente pela Folha do Paraná/Folha de Londrina, está sendo montado na mesma linha de produção do Scénic, na Fábrica Ayrton Senna. No segmento dos veículos equipados com motor 1.0 (populares), o Novo Clio 1.0 (RL e RN) terá uma participação de 2,8% do mercado específico, prevê a empresa.
Ombro a ombro
A Renault espera, no fechamento deste ano, acumular um volume total de aproximadamente 35 mil unidades comercializadas - quase o dobro do volume que vendeu no ano passado, quando contabilizou 19.100 unidades. Segundo Luc MSnard, presidente da montadora, o destaque de vendas da Renault este ano está sendo o Scénic, que deverá fechar o exercício com 16 mil unidades em circulação. Com um ano de mercado, a Renault está atrás apenas das quatro grandes marcas tradicionais com uma participação de 2,6% do mercado total.
Fatia do bolo
Até o ano 2005 o planejamento é de abocanhar uma fatia de 10% do mercado total de automóveis. Quem apostava que a Renault tiraria o time de campo, errou. A empresa trabalha na expansão da sua rede de concessionários autorizados. Dos 52 pontos de vendas que atuavam no final do ano passado, a montadora brasileira deverá fechar 1999 com cerca de 100 concessionários espalhados por todo território nacional. Atualmente a rede possui 80 pontos de vendas e a meta até o final do ano é inaugurar dois novos endereços por semana. No final do ano 2000 serão 150 concessionários.
Concessionários
Com a ampliação da rede de concessionários, a Renault responde a um questionamento bastante preocupante: assistência técnica. Esta coluna recebia, com frequência, pedidos de informações sobre como seria o comportamento da Renault, principalmente no interior do estado, onde ainda não têm uma rede de concessionários que possa dar assistência efetiva aos seus clientes.
Brasileirinho
Enquanto o marketing da Volkswagen investe no carrrooo brasileirraaa, o Novo Clio, segundo Daniel Cavé, diretor de Marketing da Renault do Brasil, deverá transformar-se em referência para o mercado e para as outras marcas. Trabalhamos para reforçar nossa imagem de marca audaciosa, visionária, calorosa e cada vez mais brasileira, disse. Um francês bem brasileiro.
Nacionalização
O projeto de produção do Novo Clio no Brasil levou dois anos desde o estudo de viabilização até o início de fabricação. Sai da linha de montagem com um índice de nacionalização de 70%.
Segurança
O principal destaque do Novo Clio é a segurança. Vem com airbag duplo de série. Luc Ménard, presidente da montadora, observa que essa postura demonstra a seriedade com que a montadora decidiu tratar do tema segurança. A decisão de produzir em linha um equipamento tão sofisticado foi a maneira que a Renault do Brasil encontrou para oferecer o mesmo nível de segurança a todos os clientes que vão comprar o Novo Clio.
Consciência
Acertou o presidente da Renault quando decidiu sobre o airbag duplo de série. Afinal, no Brasil, como em todo o mundo, não é só o motorista que tem direito a equipamento de segurança. Ao seu lado está, sempre, alguem de sua família.
Desafios
Ao saudar jornalistas que compareceram ao lançamento do Novo Clio, em Florianópolis, o presidente Luc Ménard traçou um pequeno perfil de sua vinda ao Brasil. Há 10 anos atrás, disse, estava na Alemanha, tentando vender carros franceses aos alemães. Uma tarefa difícil. Veio a queda do Muro de Berlim e ele continuou com sua difícil missão. Hoje a Renault já é a 5ª no ranking de vendas daquele tradicional país fabricante de veículos automotores.
Barreira
Luc Ménard está no Brasil há pouco mais de dois anos e, a exemplo, da Alemanha, também aposta no mercado brasileiro. É claro, que não há nenhum muro para ser derrubado, a não ser o muro da vergonha dos impostos. Dificuldades à parte, o presidente da Renault do Brasil mostrou que a empresa veio para ficar. Em cinco anos, os investimentos somarão R$ 1,5 bilhão. Portanto, vem novidades pela frente.
Tiroteio
Nem bem foi lançado no mercado, o Novo Clio já enfrenta a guerra do marketing comercial. Aliás, guerra que ele mesmo instaurou. Ao anunciar o preço de R$ 14.990,00 para o modelo 1.0, a Fiat baixou o preço do Pálio de, coincidentemente, R$ 14.990, para R$ 13.450,00. Uma coisa é certa. Essa guerrinha beneficiará o usuário brasileiro.
Já passou
O ano de 1999 não foi lá grandes coisas, segundo os indicadores econômicos conhecidos até aqui. Ainda que faltem indicadores para o ano 2000, já se pode concluir, pelo senso comum, que o próximo ano será melhor. Há diversos sinais que nos permitem perspectivas melhores para a entrada do milênio.
Previsão
A taxa de juros é uma das variáveis. No início do ano estava em 45% ao ano e hoje já se encontra nos patamares de 19%. O Banco Central sinaliza com uma taxa de 16% a 17% no início do próximo ano.





