Pedro Ribeiro (Livre Iniciativa)
Até o último centavo
O governador Jaime Lerner já não sabe mais de onde tirar dinheiro para pagar as dívidas do Estado, que já chegam a R$ 200 milhões apenas com as empreiteiras. Parece que a segunda gestão do governador está muito longe do glamour das luzes, câmaras e flashes do primeiro pop-mandato. Pouco mais de seis meses de segunda gestão fizeram lembrar, em soturnas cores de pesadelo, aqueles sonhos premonitórios de José do Egito. É tempo de vacas magras e de colocar a casa em ordem.
Ei, você aí...
Mais do que bater o pé contra a unificação da cobrança do ICMS, o que provavelmente diminuiria a arrecadação parananese, Lerner resolveu pedir adiantamento ao governo federal. O governador quer a substituição da Medida Provisória que prevê o uso dos royalties para pagamento das dívidas com a União, por uma nova medida que autoriza o adiantamento destas compesações para os estados. A princípio parece a melhor saída para o Paraná, mas, se for pensada a longo prazo, a proposta, materializada, esgota, em poucas gestões, recursos que estariam garantidos por no mínimo 23 anos. É de tirar o sono.
Descompasso
Dois pra lá, um pra cá. Parece que é assim que se dança tango na Argentina. Tanta pose fizeram que agora os argentinos estão tendo de rever a posição protecionista que adotaram contra o Brasil. Na última segunda-feira, o presidente Carlos Menem admitiu que se fechar as portas do Mercusul, a Argentina não terá para onde escoar sua produção.
Salário de fome
Se por um lado o mercado brasileiro pode ir à forra com o passo atrás dos argentinos, por outro, as críticas do ex-ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, ao Brasil abrem os olhos dos trabalhadores brasileiros. É difícil concorrer com um país que se dá ao luxo de empobrecer todos os seus trabalhadores. As empresas brasileiras estão pagando salários de fome, disparou Cavallo.
Investidores
Parece que a velha teoria de que os brasileiros, de tão escaldados, estão se tornando experts em transações econômicas começa a se confirmar. Na última segunda-feira, com as mudanças anunciadas para os fundos de investimentos, os curitibanos não perderam tempo. Lotaram as agências bancárias e congestionaram as linhas telefônicas para se informar sobre as melhores aplicações.
Consultores
A palavra de ordem de gerentes e consultores foi a substituição da poupança pelos fundos. Muito cuidado com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que continua a incidir de maneira regressiva, que vai de 96% até 2% do rendimento, dependendo da data do saque. É claro que tantos benefícios não seriam de graça. Mas como diz a vovó, poupança, cautela a caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Quase pronto
Os planos pré-pagos de telefonia celular conquistaram definitivamento o mercado paranaense. Depois do sucesso do Pronto, comercializado primeiramente pela Sercontel e depois pela Tele Celular Sul, chegou a vez de a Global Telecom apostar no sistema de telefonia celular sem contrato e sem conta. A Global, com o plano pré-pago, pretende conquistar sobretudo o mercado dos viajantes, uma vez que as chamadas locais e interurbanas no sistema de cartão possuem o mesmo valor.
Conta-gotas
Sobre pressão desleal ou não, a verdade é que o preço da gasolina vinha sendo mantido a uma média de R$ 1,17 o litro, apresentando tendência de queda em função da concorrência acirradada entre os distribuidores de Curitiba. No entanto, como já era esperado, o quarto aumento do ano deve sair ainda esta semana. Deverá ser de 9% - o que não é nada, não é nada, irrita qualquer um.
João Elísio na ACP
O ex-governador João Elísio Ferraz de Campos é o principal palestrante, amanhã, da reunião do Conselho de Comércio Exterior-Concex, da Associação Comercial do Paraná. Presidente da Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação, João Elísio falará sobre o seguro de crédito, um importante instrumento de apoio aos exportadores brasileiros para garantir o sucesso dos negócios no exterior. A reunião será realizada a partir das 18h30, na sede da ACP em Curitiba.
Bancários em campanha
A Executiva Nacional dos Bancários entregou ontem à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), em São Paulo, sua Minuta Unificada de Reivindicações. Sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Bancários-CUT realizam atividades hoje, em todo o País, para divulgar sua campanha salarial. A data-base da categoria é 1º de setembro. As principais reivindicações são: garantia de emprego, reajuste salarial, participação nos lucros, saúde, auxílio-educação, segurança, igualdade de oportunidades (sic), defesa dos bancos públicos e fim da terceirização. No feixe das cláusulas econômicas, os bancários incluíram R$ 188,41 a título de auxílio-babá. Auxílio o quê?
Propaganda
Os comerciais Oscar, criado para a Prefeitura de Curitiba para promover a civilidade de seus cidadãos no trato com o lixo, e Censura, feito para a Associação Parceria Contra as Drogas, são dois tentos da agência Master, com matriz em Curitiba. Foram citados na Revista de Criação como dois dos melhores anúncios produzidos pela propaganda brasileira este ano. Junto com a DPZ, a Master foi a quarta agência com maior número de peças selecionadas. São também da Master, entre outros, os anúncios do Ministério da Saúde - todos aprovados pessoalmente pelo ministro José Serra - e do Banco do Brasil.
Perguntinha
Se a Master pode atender clientes lá fora, por que empresas de fora que se instalam no Paraná não podem ser atendidas por nossas agências?





