Deixando de lado a demagogia barata do dono da Bahia, a discussão sobre o salário mínimo ganha também as ruas e as rodovias. O movimento sindical parte para uma nova pressão na tentativa de sensibilizar o governo e o Congresso Nacional para elevar o mínimo a R$ 180,00 e não R$ 160,00 sugerido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que sinalizou com um reajuste de 5,57% sobre os atuais R$ 151,00 para 2001. Os sindicalistas, que lideram a marcha a Brasília, até entendem que a economia não tem condições para promover um salário mínimo digno como o que reza a Constituição Federal e que segundo o economista técnico do Dieese, Cid Cordeiro da Silva, seria hoje de R$ 1.003,67 para atender a necessidade do trabalhador e de sua família. É claro que 60 anos não se corrige em tão pouco tempo. Por isto, os sindicalistas começam a discutir um programa de reajuste real a médio e longo prazo. Enquanto o governo afirma que um mínimo de R$ 180,00 seria traumático para as contas públicas e para a Previdência Social, os sindicalistas sustentam o contrário, lembrando que a economia está crescendo, a inflação controlada e que haverá maior distribuição de renda, demanda de consumo e arrecadação tributária. O que ocorre, na verdade, é que o governo central não tem uma política para o salário mínimo e o último aumento real foi realizado há 5 anos (maio de 1995 com reajuste de 20%). De lá para cá houve um abandono completo, a não ser o reajuste de 6% praticado no ano passado. Veja também o caso dos servidores paranaenses que também não tem um reajuste real do salário mínimo (houve apenas duas referências depois da greve) e o inicial é de R$ 141,00. Enquanto o movimento sindical parte a pé para Brasília percorrendo mais de mil quilômetros, em Curitiba os sindicalistas e o Dieese se reúnem esta semana para esclarecer à população sobre as reivindicações em pauta.



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