Pedro Ribeiro - Livre Iniciativa
Até posso perder o emprego e deixar os amigos do dia-a-dia. Vou ao mercado de trabalho, conseguirei um novo trabalho e farei novas amizades. O que não posso aceitar perder é a confiança na justiça, o que lamentavelmente aconteceu. Fomos apunhalados pelas costas e perdemos as esperanças naquilo que significava, para nós, o último pilar da democracia. Infelizmente, o pilar apodreceu, se desmoronou e não existe mais reserva. Perdemos a força para lutar pelos nossos sagrados direitos de cidadão. Depoimentos como este, do paranaense Francisco Zeni - o chico zeni, 45 anos, casado, dois filhos e 15 anos de Banestado, retratam, com forte dose de derrota e desesperança, o golpe dado nos funcionários do Banestado. Chico Zeni confessa não ter mágoa do Itaú e muito menos dos gerentes que permanecem e até mesmo do processo de privatização. Mas, não engole a rasteira que a justiça lhe deu. O mesmo juiz que deu uma liminar e deixou esperançosa uma legião de trabalhadores, revê sua posição em menos de 10 horas, lamenta chico, que engrossa o cordão de um pelotão de 7.500 brasileiros funcionários do Banestado. Amargurado, nos diz que não quer sair do banco, não quer deixar sua cidade, onde criou raízes e educa seus filhos. Mas se tiver que fazer, não estaria perdendo apenas um emprego, amigos e dinheiro, mas o que mais preservava e o que repassava como ensinamento aos seus filhos, ou seja, a fé e esperança na justiça. Hoje não vejo justiça na própria justiça. Estamos abandonados, desabafa o homem, cidadão, que veste por 15 anos a camisa do Banestado.
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