A história é de 62 anos. O processo de privatização se arrastou por dois estressantes anos e o martelo bateu em apenas 15 minutos. Fim de um patrimônio do povo paranaense. O Banco do Estado do Paraná foi vendido ontem pela manhã para o Banco Itaú por R$ 1.625 bilhão, com ágio superior a 100% - o preço mínimo era de R$ 434 milhões - o maior do setor financeiro nacional. Na Bolsa de Valores do Paraná, onde o leilão foi aberto às 11h 32min, o clima era de tranquilidade e expectativa, onde alguns empresários, ligados principalmente ao mercado de capitais, faziam apostas paralelas. Todos erraram. O diretor do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, foram os que mais se surpreenderam com o valor alcançado, enquanto o presidente do banco, Reinhold Stephanes, não compareceu ao leilão. O Bradesco foi o primeiro a apresentar uma proposta - R$ 710 milhões - coberta, com folga, pelo Unibanco, que mandou R$ 1.210 bilhão. O Itaú ofereceu R$ 1.515 e a instituição paranaense acabou sendo vendida por R$ 1.625 bilhão. Analistas do mercado afirmavam, ontem, que o Bradesco saiu do páreo, justamente para ficar com bala na agulha e comprar o Banespa, seu principal objetivo. De todo processo, ficam algumas perguntas. Como, por exemplo, investir R$ 5,5 bilhões em um banco e vendê-lo por apenas R$ 1.625 bilhão? Como ficam, agora, os funcionários do Banestado que somam mais de 7.500? E o que o governo do Estado vai fazer com o dinheiro? Restam, portanto, lágrimas de sindicalistas, funcionários e esperança de micro e pequenos empresários, notadamente do campo, que tinham, no Banestado, um parceiro para o crescimento e desenvolvimento. Ontem era Banestado. Hoje Itaú.


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