Pedro Ribeiro - Livre Iniciativa
Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apenas confirma o que muitos já sabiam: que pobre paga mais imposto do que rico. A injustiça do sistema tributário brasileiro contribui para a manutenção do quadro de distribuição desigual de renda e, portanto, dos níveis de pobreza e de indigência, finaliza o estudo. Segundo levantamento do Ipea, as famílias que vivem com até dois salários mínimos pagam cerca de R$ 0,28 em impostos para cada R$ 1 de renda. As que ganham mais de R$ 30 salários, pagam apenas 0,18. Embora os dados da pesquisa sejam de 1996, o quadro não mudou até o momento porque não houve alterações na legislação brasileira. A injustiça do modelo se deve à grande carga tributária dos impostos indiretos, justamente os que incidem sobre o consumo e as contribuições sociais, como o ICMS, o IPI, o PIS e a Cofins. Em 1996, 54,84% do arrecadado pela Receita Federal foi com esse tipo de tributo, sustenta o estudo. Na hora de comprar alimentos, remédios, roupas e demais bens de consumo, os mais pobres gastam 26,48% da sua renda com o pagamento de impostos indiretos e os mais ricos, apenas 7,34%. As famílias mais pobres gastam 1,71% de sua renda com o pagamento de impostos diretos. Os mais ricos, 10,64%. Neste caso, a carga tributária suportada pelas famílias mais ricas é seis vezes maior que pelas famílias mais pobres. Só que a renda é 37 vezes superior.
Puxando a inflação





