Pedro Ribeiro - Livre Iniciativa
PEDRO RIBEIRO - LIVRE INICIATIVA
A meta da inflação e os índices desconfortáveis
Estamos no início do mês de setembro e as autoridades econômicas do governo central já estão preocupadas com a inflação do próximo ano. Mergulhados em números, com contas daqui e dali, economistas de plantão, ligados aos Ministérios do Desenvolvimento e da Fazenda, apostam em um índice de 4%, enquanto especialistas do setor privado trabalham com uma taxa superior a 4,5%. Enquanto a inflação de julho e agosto de 2000 disparou e a deste mês se transformou no termômetro para medir a febre este ano, a ansiedade e preocupação é mesmo com 2001. Alcides Tápias, do Desenvolvimento, diz que o índice poderá ser superior à meta fixada de 4%. Pedro Malan, da Fazenda, garante que não haverá alteração. No mercado, no entanto, as margens de erros estão para mais 2% acima, do que para baixo, como pretende o governo. Analistas de consultorias e de bancos acham que o governo terá condições de cumprir a meta de 4% sem grandes desvios. Mas quanto à inflação deste ano, há dúvidas no ar e aumentam as incertezas. Isto quer dizer, em outras palavras, que a inflação de 2001 poderá ficar entre 5% a 6%, bastante desconfortável diante da meta de 4%.
Problema do problema
A inflação, no entanto, parece não preocupar o economista e ex-ministro do Planejamento no governo Sarney, João Sayad. Em ensaio publicado recentemente em um jornal paulista, ele diz que a inflação foi um problema. Hoje o único problema da inflação é continuar como problema que já não é. Não há realimentação - os trabalhadores nem lembram mais o que é reposição. A economia cresce mas o desemprego ainda é alto.
Violência urbana
Sayad quer chamar a atenção para um problema bem mais preocupante do que a inflação. A violência. Segundo suas observações, é preciso de um programa de urbanização e humanização das habitações precárias dos grandes centros urbanos. Precisamos reformar e investir na polícia. Para ele, o desemprego seria reduzido significativamente se conseguíssemos aproveitar o fim da inflação e dar início, finalmente, a um programa habitacional.
Segura a onda
O Ipardes, que mede o custo de vida de Curitiba e Região Metropolitana e agora, em convênio com a Faculdade de Palmas, passa a coletar números naquela região, deveria dar uma olhada também em Morretes, bem pertinho da capital. Só para se ter uma idéia, o preço do litro da gasolina nos únicos dois postos de venda da cidade deve ser o mais caro do Estado, ou do País: R$ 1,610. É claro que está longe de ser cartel em função, principalmente, do reduzido número de postos de gasolina. Mas é bom ficar de olho.Para confundirLeitora da coluna, D. Marli Lopes, de Maringá, nos telefona e pede explicações sobre o que significa inflação de oferta e inflação de demanda. Curto e grosso: inflação de oferta foi o que aconteceu nos meses de julho e agosto, quando os índices aumentaram em função da alta dos alimentos e combustíveis, sem que houvesse uma puxada, ou aquecimento na demanda. Já a inflação de demanda é representada pela alta geral em todos os setores da economia.
Doçura
Depois do Código de Ética, vem o acordo da leniência, onde empresários que confessarem o envolvimento em prática de cartel poderão ser acolhidos sob a Lei de Proteção das Testemunhas, na condição de réu colaborador. A Secretaria de Direito Econômico (SDE), vinculada ao Ministério da Justiça, lançará nos próximos dias uma cartilha sobre esse acordo. O dispositivo garante ao delator de infrações à ordem econômica a extinção de penas administrativas ou redução de multas em até dois terços do previsto em lei. Participar de cartel é muito mais que infração. É considerado crime.
Beliscão
Se empresários, dispostos a colaborar com o País, resolvessem mesmo chutar o balde e denunciar a formação de cartel, seria um sonho. O Brasil certamente atingiria mais um importante degrau de credibilidade junto às nações mais desenvolvidas e a própria população começaria a apostar em efetivas mudanças. De comportamento e cultura. Enquanto isso...
Redução de impostosEnquanto a Itália anuncia um pacote de cortes de impostos no valor de 20 trilhões de liras (US$ 9,3 bilhões) anuais, na França a redução nos impostos foi a maior dos últimos 50 anos. A decisão anunciada esta semana pelo governo de centro-esquerda inclui uma diminuição de 4,5 bilhões de libras (R$ 12 bilhões) no imposto de renda e na abolição do imposto rodoviário para automóveis particulares. Na Itália, o projeto de redução dos impostos será de forma gradativa e contínua nos próximos três anos.
Pressão
Embora existam especulações de que a reforma na França objetiva as eleições presidenciais de 2002, o que importa é que as medidas colocarão um fim às recentes queixas sobre o aumento do preço dos combustíveis o que, lamentavelmente, não ocorre em nosso País.
Sonho brasileiro
Seria, voltamos a frisar, um sonho a redução de impostos no Brasil, nação campeã do mundo na cobrança de tributos e encargos sociais. São, ao todo, 55 tipos de impostos e alguns deles, como do setor automobilístico, nocivo ao desenvolvimento e crescimento do setor e, é claro, à diminuição de preços dos carros. Infelizmente, notícias como essas de redução de impostos são praticamente proibidas no Brasil.
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