Pedro Ribeiro - Livre Iniciativa
O campo acredita
no fim da crise. Só
falta o governo
Ao mesmo tempo em que a Sociedade Rural Paranaense relata problemas no setor, resultado da própria crise vivida pelo País, também aposta na sua recuperação. O presidente da entidade, Francisco Galli, tem motivos de sobra para acreditar no que diz. ‘‘Para sair da crise, o Brasil tem de passar pela agricultura’’, afirma, exemplificando que somente o segmento de agronegócios foi o responsável por 40% do PIB em 1998, representando US$ 300 bilhões e geração de 33 milhões de empregos ( 52% da população economicamente ativa).
Crédito agrícola
Esses números servirão para Galli ilustrar seu discurso de abertura (a oficial), às 10 horas de hoje, da 39ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, no Parque Ney Braga. No palanque, ao seu lado, um ilustre representante do setor: o ministro da Agricultura, Francisco Turra. Objetivo: aumentar os recursos do crédito rural.
Além do umbigo
Bastante ácido em suas colocações quando se refere ao tratamento dado pelo governo federal ao setor agrícola, o presidente da Sociedade Rural do Paraná lembra ainda que o campo exportou US$ 18,5 bilhões no ano passado e a perspectiva é de colocar US$ 45 bilhões de produtos agrícolas este ano no mercado externo. Diante disso, argumenta que o Brasil precisa deixar de enxergar apenas a solução na sua balança de pagamentos e, sim, precisa cuidar de quem a está movimentando, ou seja, produtor rural.
Contribuição gorda
De acordo com Galli, o único setor superavitário, que engordou a balança comercial brasileira no ano passado, foi o agronegócios, com US$ 11 bilhões. A indústria automotiva contribuiu com apenas US$ 4 bilhões. ‘‘Portanto, em quem investir?’’, questiona, ao criticar o governo, que se preocupa mais em financiar a vinda de montadoras e deixar de lado o campo, que gera mais riquezas e empregos.
Na ponta
A Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina está, hoje, entre as primeiras do gênero no Brasil, sustenta Galli. Em 1998 foi registrada a presença de 780 mil pessoas e a previsão para este ano é de receber um público superior a 1 milhão de pessoas. No ano passado, foram movimentados R$ 23 milhões em negócios, e este ano, a expectativa dos organizadores é contabilizar R$ 25 milhões.
Crédito do BB
Essa previsão está aliada à linha de crédito que o Banco do Brasil está abrindo para o setor rural. São R$ 40 mil de financiamento de custeio ou para investimentos. Os produtores, industriais e prestadores de serviços terão sete bancos para realizarem negócios na feira.
Segurança ao povo
Como todas as exposições agropecuárias têm um diferencial, a de Londrina, este ano, investe mais na recepção ao público e na sua segurança. Embora considere difícil não associar festa com negócios, Galli garante que o evento paranaense terá as duas coisas, mas ordenadas. Ao mesmo tempo em que subirão ao palco duplas famosas como Chitãozinho e Xororó, também brilharão estrelas regionais, como Teodoro e Sampaio (10 discos de ouro) e outros 16 grupos inscritos.
Café do Paraná
Pelo lado técnico, a Sociedade Rural Paranaense prima pela valorização das palestras e simpósios. Especialistas e cientistas norte-americanos apresentarão as últimas novidades em cilagem um simpósio mostrará a qualidade de café do Paraná, que produz 22 milhões de sacas por ano. Secretários estaduais da Agricultura estarão presentes ao evento para discutir, avaliar e trocar experiências no setor.
Equipamentos
Para o produtor, uma das grandes novidades na área de equipamentos é a exposição de uma máquina de plantio controlada por satélite. Aduba, semeia e colhe, sem a presença física constante do homem.
Boi gordo
Quanto à comercialização de bovinos, Galli aposta em sucesso. Os criadores vêm perdendo dinheiro desde a mexida no câmbio, que encareceu os insumos e os fez subir mais rapidamente do que o preço da arroba do boi. ‘‘Mas houve uma dose de paciência e acreditamos que será corrigido’’, acredita. A raça ‘‘bola da vez’’ este ano é a Limousin.
Reitor de botina
Ontem, o reitor da Universidade de Londrina, Jackson Proença Testa, mostrava a amigos a sua estrela: o touro nelore Cortiço DD, com 8 anos e 1.180 quilos. Espécie rara e eleito entre os 100 melhores do Brasil num plantel de 6.480 touros pesquisados pela Embrapa.
Torcendo o nariz
Entre shows (tapas e beijos), algumas ilustres pessoas certamente andarão de saia justa neste evento. Mesmo que seja por pouco tempo. É o caso do governador Jaime Lerner, que, ao chegar ao Parque Ney Braga, terá que digerir algumas frases estrategicamente colocadas ao longo da entrada do parque, onde não poupam críticas ao governador. Entre as pérolas, está: ‘‘Não matem quem produz’’.
Invasão, não
Sobre movimentos organizados, o presidente da Sociedade Rural do Paraná é radical: ‘‘Sou totalmente contra invasão e não admito o tal índice de produtividade para atividades no campo’’, diz, na primeira pessoa.
Arquivo Folha
Amém
Francisco Galli (foto) tem uma surpresa à população de Londrina e Região Metropolitana, logo após a realização da feira, onde foram investidos, ao longo do ano, US$ 2,5 milhões. Embora não confirme, especula-se que o parque de exposições, com 17 alqueires, ficará pequeno para um público estimado em 100 mil pessoas acompanhar um padre cantor.
Topete
Para lembrar: o setor agrícola brasileiro ainda sofre as mazelas de um ex-presidente que, no seu governo, trocou 12 vezes de ministro.
Informações para esta coluna pelo e-mail [email protected] ou pelo fax (041) 253-3692

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