Agência Folha
De Washington
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem em Washington que ‘‘não existe uma banda informal, fantasma ou secreta para a variação do valor do real e que, por existir um regime de livre flutuação da moeda, a intervenção do BC (Banco Central) não pode ser usada para controlar o câmbio. ‘‘Não iremos usar a intervenção como política de câmbio’’, disse. ‘‘Não temos uma banda, não controlamos o valor da moeda com intervenções. Ao explicar a posição de Malan, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, evitou dizer se o governo irá intervir novamente no câmbio caso o real chegue a passar a barreira de duas unidades por dólar norte-americano, como ocorreu em agosto. A intervenção foi feita por meio da venda de títulos cambiais e passou a ocorrer quase que diariamente.
‘‘Isso ocorreu durante alguns dias porque havia uma grande volatilidade do câmbio num momento sem liquidez. Não existe regra para isso’’, afirmou. ‘‘Não posso dizer se haverá ou não intervenção, mesmo porque pode ocorrer o sentido inverso, pode haver uma grande apreciação da moeda. Fraga afirmou que a venda de títulos cambiais não está aumentando os riscos para o Brasil. Segundo ele, a proporção desse tipo de títulos com relação ao total da dívida não está aumentando. ‘‘É exatamente a mesma desde janeiro’’, afirmou.
Convidado por bancos de investimento para dar palestras em Washington, Gustavo Franco, ex-presidente do BC, disse ontem que, na visão dos investidores, o governo trabalha com uma banda informal que varia de R$ 1,70 a R$ 1,90 por dólar. Malan e Fraga negaram que a moratória do Equador (leia nesta página) sobre parte de sua dívida externa vá afetar as condições de captação para o Brasil.

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