O pedreiro e carpinteiro Edvaldo Ferreira da Silva afirma nunca ter ficado desempregado em 12 anos de profissão. Funcionário efetivo da Construtora A. Yoshii há oito anos, ele afirma que o seu salário é cerca de 20% maior do que o piso da categoria. ‘‘Acho que ganho mais pela experiência, pelo conhecimento. Concorrência tem, mas tem pedreiro que pega o serviço quase de graça e depois não sai bem feito’’, comenta.
  Além disso, trabalho não falta. ‘‘Quando tenho tempo faço bicos sábado e domingo para complementar o orçamento’’, diz Silva. E tanta dedicação também trouxe resultados: já conseguiu construir sua casa própria. Ele faz parte de uma estatística que mostra o desempenho positivo da construção civil em Londrina. Somente na última segunda-feira haviam 80 vagas para pedreiros, carpinteiros, encanadores e marceneiros na Agência do Trabalhador. ‘‘Neste ano as vagas quase triplicaram com relação ao ano passado’’, afirma o gerente Roberto Gonçalves.
  Ele também é enfático ao
afirmar a falta de mão-de-obra para o setor. ‘‘Não conseguimos preencher todas as vagas. Os pedreiros estão sendo disputados ‘a tapa’ pelas empreiteiras’’, diz. Segundo Denilson Pestana, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Londrina (Sintracom) dois fatores estão ocorrendo em Londrina: a formalização dos empregos informais que já existiam e o aquecimento dos empregos com registro em carteira. Atualmente seriam cerca de 5 mil trabalhadores na construção, contra cerca de 3 mil registrados há dois anos.
  ‘‘Há cinco anos a crise do setor levou muitos profissionais a deixar a profissão e o que está ocorrendo agora é o retorno destes trabalhadores à atividade’’, comenta Pestana. Por isso, na sua avaliação o momento deve ser aproveitado para valorizar os profissionais. A negociação salarial já foi iniciada e o pedido inicial de reajuste salarial é de 28%. O piso atual da categoria é R$ 880 incluído vale-compras.
  Por isso, a partir do segundo semestre o sindicato pretende propor negociações individuais por empresa e, se for o caso, organizar mobilizações também por empresas. ‘‘Durante o período de crise fizemos concessões para não perdermos os dedos. Agora temos que recuperar os anéis e valorizar os dedos’’, compara. O reajuste de preços ocorreu também no mercado informal. A diária de um pedreiro hoje não sai por menos de R$ 50, ante um preço de R$ 30 a R$ 35 pago há pouco tempo. (F.M.)

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