Produtores da região Oeste do Paraná estão com dificuldades para aprovar seus pedidos de Proagro (seguro agrícola) junto ao Banco do Brasil, com a frustração nas lavouras de trigo. Eles alegam que as perdas nas lavouras são em decorrência de doenças fúngicas provocadas pelas chuvas, incidência constatada pelos peritos. Os triticultores alegam que quando os laudos chegam ao BB, acabam sendo indeferidos porque os técnicos do banco entendem que as lavouras foram perdidas por doenças fúngicas, que têm como ser controladas, e não pelas chuvas.
O técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Otmar Hubner, admite que muitos pedidos de Proagro referem-se a doenças fúngicas. Mas argumentou que as infestações foram agravadas pelas chuvas, que impediram o produtor de fazer as pulverizações nas lavouras. Para o técnico, se o Proagro dá cobertura para o evento ‘‘chuvas na colheita’’, o BB deveria dar uma atenção mais detalhada para o agravamento das doenças, em função das chuvas.
Segundo a Superintendência do BB, essas divergências estão sendo administradas conforme recomendações da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo, da qual o Iapar é membro atuante. Isso porque esse ano o clima está muito atípico e as chuvas estão provocando sérios prejuízos, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste.
Conforme as recomendações da Comissão, o BB está incluindo as doenças fúngicas Giberela e Bruzone como passíveis de serem enquadradas no seguro agrícola. É que ficou constatado que elas não tiveram controle adequado por causa das chuvas. Desde a reunião da Comissão no último dia 9, o BB está incluindo essas doenças como amparáveis pelo Proagro, informou o agrônomo do banco João Aguiar.
Em compensação, outra recomendação feita pela Comissão não está sendo atendida pelo BB, admite Aguiar. Trata-se do ‘‘grão chocho’’, quando a espiga não forma grãos. Segundo o agrônomo, essa doença foi provocada por uma combinação de elevadas temperaturas com umidade relativa do ar baixa, mas o Proagro não prevê esse tipo de perda, apesar da orientação da pesquisa. Aguiar disse que seguro agrícola cobre cinco eventos na lavoura de trigo: geadas, granizo, chuva na colheita, doenças e pragas sem controle e tromba d’água. ‘‘ Fora dessas regras não há cobertura, sob o risco de haver impugnação do Banco Central’’, explicou.
O diretor de crédito rural do Banco do Brasil, Bruno Schauff, disse que esse ano o número de pedidos de Proagro será elevado, principalmente aqueles oriundos do Oeste e Sudoeste. Para ele, se as chuvas persistirem, as perdas vão se agravar rapidamente nestas regiões. Schauff informou que o BB está fazendo um levantamento do número de pedidos para o seguro agrícola para dimensionar o volume financeiro que será necessário para as indenizações.Arquivo FolhaExcessoAs chuvas impediram também a entrada das máquinas para a colheita do grãoVânia Casado

mockup