Pedidos de falência aumentam 16,4% em 2015
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de janeiro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O número de pedidos de falência no Brasil aumentou 16,4% em 2015 na comparação com 2014, de acordo com dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) divulgados nesta semana. Com a crise econômica pela qual passa o País, o encarecimento dos juros, a maior seletividade das instituições financeiras em conceder crédito e a alta inflação, que corrói a margem de lucro das empresas, são as principais causas da elevação.
A variação em 2015 ante os 12 meses anteriores foi a maior desde os 13,8% de 2012. Ainda, o resultado em 2014 em relação a 2013 havia sido de queda de 1,3% nos pedidos de falência, segundo a Boa Vista SCPC, o que mostra como a queda na atividade econômica nacional foi forte no ano passado.
Economista do serviço de crédito, Yan Nonato Cattani explica que o estrangulamento da oferta de crédito, causada pelos reajustes da taxa básica de juros, a Selic, promovidos pelo governo federal, dificulta o cenário principalmente para pequenos empresários. Pela necessidade de empréstimos para fortalecer o capital de giro, por exemplo, os gestores sofreram ainda com a maior seletividade das financeiras, mais duras frente ao risco de inadimplência. "Algumas modalidades de crédito para empresas tiveram queda de até 30% no ano passado em relação a 2014, mas a busca por crédito de forma geral aumentou 7%", diz Cattani.
MENOR PORTE
Ainda, o economista da Boa Vista SCPC lembra que a alta dos preços deve fechar acima de 10% em 2015, acima dos 7% de crescimento de empréstimos. "A inflação pressiona os custos e a margem de lucro das empresas, o que provoca um peso financeiro adicional", explica.
Empreendimentos de menor porte são os que mais sofrem, com 83% do total que pediu falência no ano passado. "É mais comum que pequenas empresas tenham maior dificuldade em sobreviver pelo menor poder financeiro, menor preparo dos gestores e por um outro fator, que não está na pesquisa, mas que acaba coincidindo, que é o menor tempo de existência", afirma o consultor Thiago Terzoni, da Terzoni Consultoria Empresarial.
No entanto, a quantidade de pequenas empresas que abriram processos de falência cresceu 16,6%, pouco além da média de 16,4%. Já as grandes empresas, que corresponderam a 3% do total em 2015, tiveram alta de 61,9% no número de pedidos.
Por setor, a participação maior foi no serviço nos processos de quebra, com 41%, seguido por indústria, com 35%, e comércio, 24%. Cattani conta que o líder no quesito teve aumento da representatividade em 2015 porque perdeu mais força. "Era um setor que vinha com inflação e demanda muito elevadaS nos últimos anos e que sentiu o peso da crise."
CENÁRIO
Para o professor de economia Antônio Eduardo Nogueira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é em serviços que estão boa parte dos pequenos empresários, o que justifica o índice. Ainda, ele vê dificuldades para as fábricas. "A indústria vem perdendo participação na economia, eficiência, produtividade, o que explica também a nossa crise, que é de falta de estímulos à produção."
O economista da Boa Vista SCPC acredita que o cenário continuará o mesmo em 2016, devido à falta de perspectivas para o cenário nacional. "Os juros ficarão iguais ou maiores, mas ao menos a maioria das empresas já se ajustou à situação de baixa atividade", diz. O professor da UEL, porém, acredita que o governo não fará o que precisa em 2016, por se tratar de ano de eleições municipais. "A política adequada é reduzir gastos públicos, despesas e impostos, para estimular a produção, mas isso, inicialmente, gera desemprego. É o preço a se pagar, mas não vão fazer isso em ano eleitoral."



