Pedidos de crédito ao BNDES crescem 190%
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Adriana Chiarini<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os pedidos formais de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as chamadas cartas-consulta, somaram R$ 34,7 bilhões de janeiro a maio, volume 190% maior que o do mesmo período do ano passado, quando o total ficou em R$ 11,9 bilhões. ''A carta-consulta é um indicador claro de intenção de investimento'', disse o superintendente de Planejamento, Maurício Piccinini.
Em nota, o BNDES considerou o crescimento das cartas-consulta ''expressivo'' e disse que isso ''revela a disposição do empresariado em fazer investimentos produtivos no futuro do País''. A carta-consulta traz o pedido, com o projeto de investimento e informações detalhadas para o banco poder verificar se ele se enquadra nas exigências previstas. Piccinini disse que não há ainda como afirmar se o dado representa maior confiança do empresariado no crescimento duradouro da economia. ''Isso é difícil falar porque o dado que temos é restrito ao BNDES e a economia como um todo não se prende só a isso. O que posso dizer é que aumentou a intenção de investimento com recursos do BNDES e que o banco é a única fonte de financiamentos de longo prazo (do País)'', afirmou.
Os desembolsos da instituição este ano até maio somaram R$ 12,7 bilhões, o que representa 27% do orçamento total da instituição para este ano, que é de R$ 47 bilhões. ''Isso está na média dos últimos cinco anos, que mostra que de 60% a 65% dos recursos são liberados no segundo semestre'', disse Piccinini. Ele destacou que o resultado representa um aumento de 54% em relação às liberações nos primeiros cinco meses de 2003, que totalizaram R$ 8,4 bilhões.
Exportações - O aumento se deve principalmente às exportações e ao setor industrial. A indústria recebeu R$ 6 bilhões de desembolsos até maio, a maior parte referente às exportações, que ficaram com US$ 1,6 bilhão, 168% a mais que nos primeiros cinco meses do ano passado.
O BNDES destacou o setor de material de transporte (aeronaves, veículos automotores, embarcações e equipamentos ferroviários), que atingiu R$ 2,8 bilhões, crescendo 105%. Os desembolsos destinados à agroindústria atingiram R$ 986 milhões, desempenho 71% acima de igual período do ano passado.
As micro, pequenas e médias empresas receberam R$ 4,4 bilhões, 35% das liberações totais da instituição até maio. O banco considera que esse é um ''apoio expressivo'' às empresas desse porte e informa que o valor supera em 50% o desempenho no mesmo período de 2003 e em 69% o de 2002.
Depois da fase inicial das cartas-consulta e antes da aprovação para desembolso, o banco verifica se o pedido pode ser enquadrado dentro das linhas e programas oferecidos. Esses enquadramentos nos primeiros cinco meses do ano atingiram R$ 21,7 bilhões, 160% a mais que o mesmo período de 2003, quando chegaram a R$ 8,4 bilhões.
As aprovações de projetos, que é a fase seguinte, aumentaram de R$ 7,8 bilhões para R$ 17,1 bilhões, um crescimento de 119%. Segundo a instituição, ''o crescimento nos enquadramentos, aprovações e desembolsos do BNDES reflete as novas diretrizes administrativas adotadas pela gestão do banco no atual governo''.


