Rio de Janeiro - Os pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio de carta-consulta cresceram 144% no primeiro semestre deste ano, ante igual período em 2003. As consultas funcionam como uma espécie de ''termômetro'' para indicar a disposição do empresariado em investir. O total dos pedidos somou R$ 38,9 bilhões, ante R$ 15,9 bilhões no primeiro semestre de 2003.
O superintendente da área de Planejamento do banco, Maurício Piccinini, explicou que o número de pedidos tem mostrado tendência de crescimento há meses. Informou que os setores que puxaram o aumento foram os de infra-estrutura e exportação. ''A indústria não foi um dos setores que impulsionaram esta elevação'', disse, afirmando que é cedo para considerar a informação como indicação de recuperação da indústria. A mesma posição tem o economista-chefe da Global Station, Marcelo de Ávila. ''Ainda não acredito em melhora no patamar de investimento na indústria. Faltam regras claras para o investidor, tanto o internacional como o doméstico'', disse.
Ontem o BNDES informou queda de 9% nos desembolsos para a área social no primeiro semestre deste ano, que somaram R$ 744,7 milhões, ante igual período de 2003. Ao ser questionado sobre a queda, Piccinini explicou que já ocorreu um grande número de contratações de financiamento para este setor no primeiro semestre, cujos recursos ainda não foram liberados. As aprovações para novos financiamentos chegaram a R$ 22,4 bilhões no primeiro semestre, 85% acima de igual período de 2003. Os desembolsos do banco no primeiro semestre de 2004 atingiram R$ 16,2 bilhões, 39% acima de igual período do ano passado.
Com o resultado, segundo Piccinini, somando o montante aos recursos extraordinários - que são investimentos para projetos específicos de interesse do Tesouro Nacional - de R$ 1,9 bilhão, o banco já atingiu desembolsos de R$ 18,1 bilhões. O resultado representa 38% do orçamento para este ano, de R$ 47,3 bilhões. Do total de desembolsos do primeiro semestre, 47% foram destinados à indústria; 27% foram para infra-estrutura e 20% para agropecuária. O BNDES informou que os desembolsos para exportações subiram 57% no primeiro semestre, ante igual período em 2003, atingindo US$ 1,9 bilhão. Já os desembolsos para as micro, pequenas e médias empresas somaram R$ 5,6 bilhões, 46%, acima do registrado nos seis primeiros meses de 2003.

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