Pedida ajuda no leste do Zaire
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de novembro de 1996
France Presse 
GENEBRA, Suíça/GOMA, Zaire - As organizações humanitárias insistiam ontem na necessidade de enviar uma Força Multinacional para o leste do Zaire, porque cerca de 500 mil refugiados hutus ainda se encontravam nos arredores de Bukavu e Uvira, na província de Kivu Sul, sem assistência há três semanas.
Nos últimos três dias, mais de 400 mil hutus ruandeses da região de Goma, em Kivu Norte, voltaram inesperadamente para Ruanda. Os combates registrados em virtude da tomada de Uvira e Bukavu, em Kivu Sul, dispersaram meio milhão de hutus, de quem não se têm notícias, segundo as fontes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
A necessidade está aqui. Não acredito que tenhamos que nos dar por vencidos. Seria prematuro dizer que já não será enviada uma Força Multinacional, declarou Christiana Berthiaume, uma das porta-vozes do ACNUR.
Não se pode dizer que o problema está resolvido. Agora, a prioridade é Bukavu, continuou Rolin Wavre, porta-voz do CICV.
As entidades humanitárias destacaram que os refugiados da região de Bukavu estão em piores condições que os do Norte, pois não recebem ajuda há mais tempo.
Fontes humanitárias em Kigali informaram sobre um possível ataque de rebeldes tutsis contra os acampamentos de Inera e Kashusha, próximos a Bukavu.
O êxodo dos refugiados hutus, que começou na sexta-feira passada em Mugunga foi provocado por um ataque rebelde que obrigou o exército ruandês e as milícias hutus a fugirem.
O governo ruandês declarou sua total oposição. Uma intervenção multinacional não é mais necessária, disse o chanceler da Ruanda, Anastase Gasana. Desejamos que as enormes quantias previstas para esta força sejam reorientadas. Se a palavra humanitário tem um sentido, o dinheiro deve se destinar aos refugiados, acrescentou Gasana após se reunir com o secretário de Estado francês para a Ação Humanitária, Xavier Emmanuelli.


