Pedagogia vem da França
A Escola do Campo se inspirou numa experiência francesa, a Maison Familiale Rurale (Casa Familiar Rural), implantada em Bordeaux no início do século, quando a região foi quase esvaziada porque as grandes cidades buscavam ali mão-de-obra para sua industrialização. O governo francês incentivou a ocupação dessas áreas e uma leva de imigrantes se fixou nas terras férteis, ocupando pequenas propriedades de 10 a 15 hectares.
Mas, a tentação da cidade se mostrou grande também para os filhos desses agricultores. Reunidos, decidiram criar uma escola que garantisse a permanência de seus filhos. Não poderia ser uma escola tradicional. Teria de ser perto das propriedades, ensinar a profissão de agricultor e ajudar a transformar a agricultura numa atividade mais lucrativa que o trabalho nas cidades.
Em 1937 foi criada a primeira Maison Familiale Rurale. Em poucos anos a experiência ajudou a conter o êxodo rural e o sistema se popularizou no país. Hoje, são 500 escolas que atendem 54 mil filhos de agricultores.
No Brasil, esse modelo francês só tem exemplo no Paraná. Ele foi implantado em 1989, como Casa Familiar Rural, no município de Barracão. Hoje, com o nome de Escola do Campo, atinge mais 37 municípios, e vai chegar a quase 60 até o final do ano.
Em poucos anos, a experiência de Barracão conseguiu mudar o perfil da produção na região. Até o início da década, nas pequenas propriedades do município prevalecia o plantio de milho e feijão, que têm apenas duas colheitas ao ano e não garantem uma renda mensal. A Casa Familiar Rural orientou os agricultores na diversificação. Um dos exemplos foi a criação do bicho-da-seda, que rende ao produtor entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00 mensais.

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