ArquivoProdução em riscoMeneguette: o que o agricultor consegue em esforço e competência fica no pedágio ‘‘O governo do Paraná está colocando em risco a produção agrícola do Estado. Se o produtor se esforçou até agora e ganhou em produtividade, vai deixar todo esse ganho nas praças de pedágio’’. A frase, do presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Ágide Meneguette, resume a posição das entidades representativas do setor, a Faep e a Ocepar. Elas insistem em rever os valores cobrados nas tarifas de pedágio que começará a ser cobrado nas rodovias do Anel de Integração, a partir de maio. O DER admite uma negociação e propõe mediar o debate entre usuários e concessionárias.
As transportadoras alegam que terão sua margem de lucro reduzida e vão repassar os custos do pedágio, já que o custo dessa tarifa será equivalente ao custo de combustível. Segundo um levantamento feito pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar), o transporte de uma carga por um caminhão com 5 eixos que custa R$ 605,00 entre Cascavel e Paranaguá, vai ter um custo adicional de 35% em consequência do pedágio.
Impacto O impacto da cobrança do pedágio na economia paranaense foi analisado, ontem, em reunião promovida pelo Setcepar, com a participação da Faep, Ocepar e Sebrae. Uma simulação apresentada pelos técnicos da Faep e Ocepar aponta que um caminhão com cinco eixos e capacidade de 27 t vai deixar 19 sacas de milho ou dez de soja nas praças de pedágio, só na viagem de ida, no trecho entre Foz do Iguaçu e Paranaguá. Entre Cascavel e Paranaguá, o caminhão vai deixar o equivalente a 15 sacas de milho ou oito de soja.
Em outra projeção, os técnicos demonstram que se a cobrança do pedágio começar em maio, o transporte de pelo menos dois terços da safra paranaense 97/98, que ainda estará na zona de produção até essa data, vai pagar pedágio. Isso significa que as empresas concessionárias poderão arrecadar R$ 30 milhões, só com o transporte da safra agrícola. Esse dinheiro seria suficiente para comprar 140 mil t de soja, que ocupam 60 mil ha para o seu cultivo, resumiu o estudo.
Sérgio Malucelli, do Setcepar, salientou que os estudos sobre o impacto da cobrança de pedágio recaíram sobre a Agricultura, já que a produção agrícola é a mercadoria que prevalece no transporte de carga no Paraná, na maior parte do ano. Ele acredita numa negociação com as concessionárias, ‘‘porque os empresários não vão querer perder mercado para a ferrovia ou hidrovia’’.
Documento a Lerner As entidades presentes ao encontro elaboraram um documento que será entregue hoje ao governo do Estado, propondo a redução das tarifas do pedágio e a cobrança apenas num sentido (unidirecional). O sindicato das empresas transportadoras alega que não pretende radicalizar a forma de pressão sobre o governo e concessionários, ‘‘mas se for preciso vão protestar com o fechamento de rodovias e convocar a oposição’’, afirmou Malucelli.
O procurador do DER, Maurício De Ferranti, argumentou que os benefícios da melhoria das estradas serão sentidos a longo prazo. E como o governo, tanto federal como estaduais, não tem dinheiro imediato para promover a modernização do País, o usuário terá de financiar agora para ter o benefício na frente, que é a duplicação das estradas. De Ferranti comparou o sistema com um consórcio de veículos, ‘‘no qual o consumidor paga antes o bem para retirar depois’’.

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