Pedágio pode onerar transporte em 20%
Vânia Casado
Curitiba
Caso seja confirmado o aumento de 116% nos pedágios das rodovias do Paraná, decidido pela Justiça no último dia 7, o impacto no setor agropecuário será violento e deverá vigorar bem no início da comercialização da safra, quando começa o movimento de caminhões rumo ao Porto de Paranaguá. A previsão é que o reajuste do pedágio deve representar um aumento de 20% no preço do frete que vai vigorar no transporte da safra 99/2000, considerando o transporte de grãos no eixo Cascavel-Paranaguá.
Com isso, o custo de produção pode subir quase 10% no caso do milho e 5,64%, no caso da soja, apontou um estudo realizado pelo Departamento de Economia da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). O estudo caiu como uma bomba sobre a mesa do presidente da entidade, Ágide Meneguette, que prevê a inviabilidade da avicultura e suinocultura caso se concretize a decisão judicial. O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Kosloviski, acha que o governo do estado tem que recorrer dessa decisão, que por ser de primeira instância não é definitiva.
A Faep e Ocepar passaram todo dia de ontem avaliando o impacto do reajuste do pedágio. As entidades que representam a agropecuária paranaense prometem um barulho caso o governador não recorra da decisão judicial. Elas argumentam que os produtores serão os mais penalizados e eles não estão tendo aumento de receita para bancar o aumento no custo do pedágio. Meneguette sustenta que o preço das principais commodities permanecem os mais baixos dos últimos anos e o produtor rural já vem trabalhando com uma margem muito estreita, portanto qualquer aumento no custo de produção inviabiliza a atividade. Segundo ele, o produtor terá uma perda de receita de R$ 18,00 para R$ 16,20 em cada saca de soja, enquanto os custos de produção não se alteraram.
Conforme estudo realizado pelo engenheiro agrônomo Jorge Proença, da Faep, com o aumento do pedágio como está sendo proposto, um caminhão com 5 eixos que carrega 27 toneladas de grãos vai passar a pagar R$ 267,84 no trajeto Cascavel-Paranaguá. Atualmente está pagando R$ 124,00. O frete que está girando em torno de R$ 26,60 a tonelada deve passar para R$ 31,92 a tonelada, o que representa um custo alto para o produtor. Isso porque toda commoditie tem o preço de mercado fixo, mas qualquer aumento no custo é deduzido de quem produz, explica Proença.
O estudo aponta ainda que as praças de pedágio podem arrecadar R$ 56 milhões só com o escoamento da safra. Proença tomou como base o transporte de 6,7 milhões de toneladas de grãos por rodovias paranaenses, que exige cerca de 250 mil caminhões com cinco eixos, pagando um custo médio de R$ 225,00 em todo o trajeto. O valor total arrecadado nos postos de pedágio equivale ao custo do plantio de 75.500 hectares de milho, que corresponde a 5% da área plantada com a cultura no Paraná, ou 530 mil toneladas do grão que ficam nos postos. Numa outra simulação, o valor total do pedágio equivale ao custo do plantio de 106.000 hectares de soja, que corresponde a 4% da área plantada no Paraná ou 250 mil toneladas do grão que ficam nos postos.





