Pedágio onera produção agrícola e produtores pedem nova tarifa
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sexta-feira, 22 de março de 2002
Lucinéia Parra Equipe da Folha 
Maringá - A Federação da Agricultura do Paraná (Faep), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e o Sindicato Rural de Maringá querem preços diferenciados na cobrança das tarifas de pedágio. As entidades elaboraram um estudo que mostra os prejuízos dos agricultores do Estado com o pedágio nas rodovias do Paraná. O documento foi entregue durante a semana ao secretário de Transportes do Estado, Wilson Justus Soares.
De acordo com o presidente da Faep, Ágide Meneguetti, as concessionárias devem estabelecer tarifas diferenciadas para o escoamento da safra, sob pena de falência dos produtores do Paraná. Ele argumenta que os valores recebidos pelos agricultores são consideravelmente mais baixos que os pagos aos produtos industrializados.
Conforme Meneguetti, o documento entregue ao secretário de Transporte mostra as disparidades entre os preços das mercadorias transportadas nas rodovias do Estado. Conversamos com o secretário sobre a necessidade de uma mudança na política de escoamento da safra, porque senão a médio - ou mesmo a curto prazo -, nossos produtos não terão competitividade. Vamos perder espaço para o Centro-Oeste, onde os estados estão criando alternativas para o escoamento das safras por ferrovias e hidrovias, alertou.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Maringá, Anibal Bianchini, a agricultura já transfere enormes rendas para bancos, indústrias e prestadores de serviços, e não pode fazer o mesmo às concessionárias das rodovias pedagiadas.
Conforme relatório da Faep e da Ocepar, um frete de calcário entre Curitiba e Foz de Iguaçu, com passagem por nove praças de pedágio, equivale a 52,90% do preço do produto. No mesmo trajeto, o transporte de automóveis representa não mais que 0,06% do produto. Se for geladeira, o índice não excede a 0,23%; na televisão, 0,25%. Numa carga de soja, no trecho Maringá-Paranaguá-Maringá, o pedágio representa 2,52% do valor do grão.
Segundo Bianchini, os preços das tarifas de pedágio nas rodovias do Paraná podem inviabilizar alguns segmentos da agropecuária do Estado. Ele lembra que, usando do mesmo parâmetro para o levantamento dos custos dos produtos em relação ao custo do pedágio, uma carga de milho entre Foz do Iguaçu e Porto Paranaguá equivale a 9,28% do valor do cereal.
Para o presidente da Faep, o governo do Estado precisa urgentemente discutir uma nova política de escoamento dos produtos. Precisamos modernizar também toda a estrutura do Porto de Paranaguá e discutir mecanismos para baratear o escoamento da produção, destacou.


