Pedágio onera custo do transporte de grãos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de janeiro de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Curitiba As cooperativas e produtores rurais voltam a questionar o impacto do custo do pedágio no transporte agrícola, que já atinge 30% do preço do frete. As entidades que representam os agricultores querem que as concessionárias de pedágio reduzam o valor das tarifas cobradas dos caminhões que fazem o transporte da safra. Os agricultores alegam que a safra agrícola tem baixo valor agregado e por isso eles não têm condições de pagar as mesmas tarifas pagas por transportadoras que levam cargas industrializadas, de maior valor agregado.
Essa proposta será levada pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e demais entidades que representam o agronegócio ao governo do Estado e às concessionárias de pedágio. As entidades querem encontrar fórmulas que ajudem a viabilizar o transporte da safra.
No trajeto Cascavel a Paranaguá, o custo do frete de um caminhão com cinco eixos e que transporta 27 toneladas de grãos, está estimado em R$ 35,00 por tonelada. Além desse custo, o proprietário da carga (cooperativa ou produtor) paga mais R$ 10,30 por tonelada para pagar o pedágio. O adicional do pedágio representa mais um componente do custo Brasil, causando perda de competitividade da soja e milho, frente aos concorrentes de outros países.
No estudo, técnicos da Ocepar concluíram que no mesmo trajeto Cascavel-Paranaguá, o agricultor está deixando o equivalente a 10 sacas de soja para pagar o custo do pedágio. Esse cálculo considerou o custo da soja no final do ano, quando o grão estava cotado a R$ 27,50 a saca. Agora o valor do produto caiu em torno de R$ 25,00 a saca, portanto o agricultor está deixando mais sacas de soja nas praças de pedágio, considerando que o custo das tarifas no trecho abordado é de R$ 278,00 informou a Ocepar.
As cooperativas alegam que pelo menos 67% da produção de soja e milho produzidos no Paraná vai para o porto. Daí a necessidade de encontrar uma fórmula para que o custo do pedágio não tire a competitividade do produto paranaense em relação a outros países.
Segundo assessoria da Ocepar, as cooperativas não são contrárias ao pedágio, mas elas aceitariam pagar em trechos duplicados. Da forma como está, elas estão pagando por antecipação as obras que ainda serão realizadas, ou seja, os usuários vão financiar as obras para as concessionárias. O compartilhamento do risco de assumir investimentos em obras deve ser feito com agentes financeiros, como ocorre em qualquer lugar do mundo e não com o usuário, diz a entidade.


